Mostrando postagens com marcador árabe. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador árabe. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

A LENDA DO ARCO - IRIS



                                                                                                 (Mitologia árabe)

Em nome de Allah, clemente e misericordioso...

No principio dos tempos tudo era branco. Os mares,os desertos áridos,as montanhas imensas,o céu infinito,tudo.Nestes tempos tão remotos,que nem habitam mais a memória dos homens,só o arco-iris tinha permissão de Allah para ser colorido.E quando ele aureolava o céu,mostrava aos mortais a sua beleza incomparável.Todos se quedavam embasbacados.Mas,havia uma coisa muito estranha.O arco-iris tinha uma sombra.Uma sombra colorida,belíssima,estonteante,formada por dezenas de cores visíveis e invisíveis.Roxo,alaranjado,amarelo,verde,azul,anil,violeta.Era como um abraço de luz circundando a Terra.

Um djin bondoso chamado Sete-Luzes,com pena dos homens pediu ao Onipotente que lhe desse de presente a sombra do arco-iris,aquela magnífica sombra tecida de luz e caprichosas cores.

E Allah,na sua bondade e misericórdia,deu-lhe a sombra cobiçada.

Louco de felicidade, Sete-Luzes apanhou a sombra e começou a tirar suas cores e esparzi-las pelo mundo.Como um pintor febril,coloriu a sua tela,enchendo-a de vida, claridade e cor.O djin apanhou um pouco do azul que atirou para o firmamento e o céu se transformou num véu de pura safira;cobriu de verde as florestas,desde o tom claríssimo até o verde profundo das matas virgens;com o azul tingiu as montanhas mais altas e distantes e com o cinza ,criou o mar tempestuoso.

Em dias calmos o mar recebeu as nuances de verdazul que o torna único.

As flores resplandeceram de luz, afogadas no ouro do amarelo,no rosa suave,o calmo lilás,o vermelho radioso das rosas perfumadas.Todas as crianças do mundo sorriam e batiam palmas.

Por toda parte o gênio espalhava a luz e embelezava as coisas; porque,na beleza reside o Eterno.E tudo isto foi feito apenas com sete cores.

As jovens de todos os países, encantadas com tanta beleza,imploraram ao djin que não as esquecesse;então,ele lhes deu um pouco de carmim para os lábios,o dourado para os cabelos ,o azul para os olhos e o rosa para as faces.Mas,as mulheres são tinhosas e algumas preferiram ter olhos verdes e cabelos negros;outras,queriam olhos e cabelos castanhos;a todas ele atendia com amor e paciência,segundo a vontade de Deus,é claro.Pois a grandeza de Deus dá vida a tudo.

Sete-Luzes era muito apressadinho e na ânsia de colorir tudo ia deixando as cores cair pelos caminhos, sobre as pedras:daí surgiram as safiras,os topázios,os rubis,as misteriosas ametistas.As pedras preciosas.

E, assim,também os pássaros,as borboletas,os animais.

Porém,nem tudo recebeu colorido;as nuvens e a neve permaneceram brancas.

Cansado, Sete-Luzes atirou as cores que sobraram ao acaso.Mais que depressa o Sol as apanhou.Ao nascer,enche de vermelho o poente;durante o dia colora tudo de amarelo brilhante;ao se pôr espalha ouro líquido por todo o horizonte.

Sete-Luzes terminou feliz a sua tarefa. Tinha realizado o sonho pelo qual tanto lutara.Para vencer é preciso acreditar e ter o coração dominado pelo impulso forte de um ideal.

(Adaptada das “Mil e uma Noites”)

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

A CALÚNIA



A idade nos leva muita coisa que gostaríamos de preservar,como a força juvenil,os arroubos amorosos,o entusiasmo e as esperanças,que vão ficando para trás,como dizia o poeta Antonio Tomás,enquanto os desenganos vão conosco á frente.Mas,uma coisa,não perdi,a capacidade de me indignar.Quando vejo pessoas e famílias serem jogadas aos lobos,por uma mídia ávida de lucros,reputações destruídas sem provas concretas,pessoas como eu e você,que dormem como pessoas comuns e acordam como monstros,injustiçadas,atiradas á lama,sem poder falar ou protestar,contar sua versão da história,porque não são donas de jornais ou de TVs,não tem parentes importantes,isto,sim,me incomoda e devia incomodar a todos nós.Porque,como diz o poeta Buarque”a dor da gente não sai nos jornais”.Então me vem á memória um texto que li,faz muitos anos e nunca esqueci.Numa aldeia árabe,nos tempos de Harun Al Rachid,o maior dos califas,uma mulher idosa conhecida por sua língua pérfida,levantou um falso contra um morador e sua mulher,coisa grave e os acusados foram levados á presença do cádi.Interrogados,sua inocência foi provada.O juiz,chamou a velha harpia e mandou que ela escrevesse num papel o nome completo das pessoas que ela acusou e que se revelaram inocentes.Depois,picotou o papel em mil pedaços que o simun,o vento do deserto,espalhou pelos quatro cantos do oásis.O juiz ordenou que a velha catasse todos os pedacinhos e recompuzesse o nome corrompido por ela.Claro que ela não conseguiu;o vento os levou por todo o deserto,as aves de rapina,engoliram alguns,outros caíram nos monturos.O juiz,então,condenou a velha a cem chibatadas,para que ela aprendesse,que,uma vez lançada uma calunia contra alguém,seu nome jamais sera recomposto e a mancha da dúvida pairaria sempre sobre suas cabeças,como o manto da desonra.Quando é,que aqui,nestas nossa terra ocidental civilizada,vamos exigir uma retratação desta nossa imprensa marrom,fantasiada de imprensa séria,pelo menos uma compensação financeira,qualquer coisa mais substancial que uma mera notinha de rodapé..