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sexta-feira, 2 de abril de 2010

A FESTA DO DIVINO!



A FESTA DO DIVINO

Dizem que em 1765, as pessoas que viviam nas ilhas de Portugal,conhecidos como “os ilhéus”,costumavam sair em procissão,nas manhãs de domingo para esmolar.Trouxeram esta sua tradição para Salvador quando chegaram para trabalhar nesta terra.
Sempre traziam uma criança ricamente,vestida a quem chamavam “O Imperador”.
Os vigários das paróquias recebiam o menino e os pedintes com água benta e,depois,conduziam a criança para dentro da igreja até a capela – mor onde se sentava numa bela cadeira de espaldar .
Nesta época eram comuns as prisões por dívidas;então o Imperador acompanhado do seu séquito visitava as cadeias e soltava esses presos,sem maiores formalidades;apenas pagavam o que eles deviam.
A festa começava quando palanques eram armados no Largo de Santo Antonio Além do Carmo,seguidos de jantares públicos,além de cantorias,danças e diversões que,não raro,acabavam em desordens.
A confusão era tanta que o Conde de Lavradio,um sujeito de maus bofes,proibiu o furdunço.
Passado algum tempo,a irmandade do Divino Espírito Santo restaurou a figura do Imperador,escolhida entre os meninos ricos da cidade.
No sábado de Aleluia,os irmãos saiam ás ruas pedindo esmolas para a festa,sempre acompanhados de quatro garotos vestidos de branco com enfeites encarnados,usando chapéus de palha com a copa coberta de algodão.Dois deles tocavam pandeiros,outro tocava tambor e o último levava uma bandeira.
Os meninos cantavam essa trova:
Aleluia Virgem Santa,
recobrai doce alegria,
Cristo já ressuscitou
que glória teve Maria!
Saindo do Santo Antonio iam á igreja de Nazaré onde cantavam a saudação:
Deus vos salve ,santa casa
Deus vos salve,sacrário bento;
onde está bem colocado
o Santíssimo Sacramento.
Ainda hoje temos a Festa do Divino;mas,não com a mesma pompa e alegria.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

O CENTENÁRIO DO VESÚVIO




O CENTENÁRIO DO VESÚVIO
Um velho e alegre senhor está de aniversário.
Figura constante nos livros de Jorge Amado,sendo o favorito da Gabriela,aquela morena apaixonada pelos quibes e pelos quimbas do turco Nacif,o famoso bar está centenário ,mas,com disposição de cinqüentão,sempre a espiar as belas mulheres e a se cercar de figuras alegres,boêmios,putas,e,naturalmente turistas.Que olham para cima tentando ver a Gabriela a marinhar pelo telhado.
Se o passante for de viagem curta, nem dá para apreciar a paisagem,a bela igrejinha,onde tantos ricos e empertigados coronéis rezavam as suas missas,nem as belas praias,nem a calma singela de cidade de interior com alma de metrópole.
Afinal, foi aí,no São Jorge dos Ilhéus,que aquele Jorge,o Amado,garimpou suas estórias que hoje correm mundo.
Quantas vezes me sentei nas mesinhas azuis do Vesúvio,tentando imaginar quantas pessoas,quantos romances ali começaram e terminaram,entre os deliciosos chopps geladinhos e os quibes famosos,de receita mais escondida que a da coca-cola,mas que eu sei que leva desde hortelã até pimenta rosa.
Hoje, está modernizado, mas,sem perder a magia.
Este bar foi criação de dois italianos, Nicolau Carichio e Vicente Queverini,que puseram o nome de um vulcão da sua terra.
O segundo dono,um português,por nome Figueiredo,que dizem as más línguas era amigado com uma bela mulata,de anca empinada,que levava hordas de rapazes ao restaurante só para vê-la passar.
O bar foi tombado pela Prefeitura de Ilhéus e até apareceu na Globo,pois lá foram feitas as filmagens da novela Gabriela.
Nas décadas de 30/40,o bar era freqüentado por poderosos coronéis,para discutir política e negócios.
Os famosos quibes já existiam na época e o atual proprietário,Guido Paternostro,jura que ainda conserva a receita original,guardada a sete chaves.
Mas,aos quibes centenários ,veio juntar-se a “Moqueca Arretada”,com mariscos,camarões defumados,charque e ovos.Acompanha arroz,pirão e farofa de dendê.
Apareça lá e aproveite para sentar e dar dois dedinhos de prosa com Jorge Amado,sentado na mesa de entrada.
Depois que procurar Gabriela pelos telhados,beba seu chopinho,um dos dez melhores do Brasil,segundo uma pesquisa,se deixe embalar pela calma da noite e,até pode mudar o rumo da prosa;sempre tem alguém disposto a contar estórias dos coronéis e fofocas do Bataclan,onde “meninas” escolhidas faziam as delícias da rapaziada.
Bar Vesúvio
Praça D. Eduardo,190
Centro
Ilhéus,Ba