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terça-feira, 17 de maio de 2011
VAMOS RIR!
Famosa socialite de São Paulo mudou-se com armas e bagagens (Daslu e Louis Vuitton) para o Rio de Janeiro e resolveu oferecer um garden-party na sua casa ,situada num condomínio de luxo em São Conrado.
Convidou “tout Rio”,como diria o saudoso Ibrahim e,naturalmente,artistas e intelectuais,para dar um certo ar inteligente ao evento. Artistas e intelectuais não resistem a um 12 anos e lá estavam todos os convidados.
Dias antes, a anfitriã(ela me odiaria se a chamasse assim,corrigindo,diria:sou uma hostess!) telefonou para seus ex-maridos ,honrados pilares da sociedade que a ajudaram a criar seu invejável patrimônio.
Ligou para o escritório do primeiro: -O senador está?
-Não,foi á China,acompanhando uns empresários.
Então,ligou para o segundo:
-Dr.Fulano está? -Está,sim.Um momento.
-Hello,benzinho.Amanhã darei uma festa para inaugurar a mansão,você vem?
Não posso, querida.Vou a Nova York visitar meu filho.
Quem vence uma socialite enfurecida quando ela quer alguma coisa?
Ligou para o ex- marido mais recente,um famoso autor de Best-sellers: -Hello,docinho?Trago-lhe um ultimatum.Amanhã inauguro minha casa e convidei meus outros dois ex e eles não podem vir. Portanto,nada de desculpas.Você tem que vir, representando a classe.
A festa foi realmente linda;não faltou whisky e caviar Beluga. Também não faltou o marido intimado trazendo repórteres e cinegrafistas para documentar o fato.
A dona da casa, num longuinho Chanel,exibindo suas jóias de esmeralda,passava pelos convidados,desfilando seu poder. Uma corista,louca para arrumar um marido rico que lhe proporcionasse tudo isto,falou para uma atriz de teatro sentada perto:
-Adorei tudo!Mas,daria a minha vida por aquela sandália de Strauss...
Nota da Autora:-Quem sabe ela não conseguiria com o Sr.Strauss-Kahn, hein!?
LEIA “CONTOS E CAUSOS. UM HUMOR INTELIGENTE!
http://www.artigonal.com/cotidiano-artigos/vamos-rir-1106963.html
quarta-feira, 13 de abril de 2011
QUARTA DE RISOS!
A PULGA SALVADORA
“O anel do médico tem duas cobras porque ele cobra quando
cura e
cobra quando mata.”
Barão de Itararé
Dr.
Eusébio já clinicava em Maracás há mais de quarenta anos. Chegou recém-formado,
tímido, ar caipira, mas, no decorrer do tempo, com lhaneza e competência, ganhou
muitos pacientes, entre esses, a conta "estrelada' do Cel. Quinzinho;
ninguém na família do coronel freqüentava outro médico.
Dr.Eusébio trouxe ao mundo os cinco filhos do
casal,tratava da rinite de D.Candinha e de uma infecção crônica no ouvido
direito do Quinzinho, que já durava perto de vinte anos. O doutor casou-se, teve
um filho, acostumou-se á cidade que o acolheu e nunca mais saiu.
Seu
filho cresceu, foi estudar na Capital,junto com o filho mais velho do coronel, e,quando
quis estudar medicina - foi a glória!-O pai babava-se de gosto e já tinha até
mandado vir de Campo Formoso uma bela esmeralda, para seu Jofre, o ourives, fazer
o anel de formatura.
Voltando o rapaz todo lampeiro,já doutor de
anel e diploma, clinicou com o pai uns seis meses, até que este lhe disse:
-Pedrinho, meu filho, eu e sua mãe sempre
tivemos o desejo de ter uma rocinha, coisa pequena, para acabar nossos dias em
paz, no meio das galinhas e cabras, plantando nossos legumes, tomando banho de
rio e pitando meu cigarrinho, na rede, ao pôr do sol. A clínica, bem procurada,
fica contigo;vai garantir o teu pão e o de teus filhos, como garantiu o meu. Sei
que és um bom médico, vais criar renome, mas, te peço;dê uma atenção toda
especial ao Coronel; visite-o sempre, tome-lhe a pressão e acompanhe com
cuidado aquela supuração que ele tem no ouvido, é crônica, não tem cura, mas, vai
aplicando mézinhas e evitando a dor, que correrá tudo bem, se Deus quiser.
Venho
daqui há seis meses ver como estás;se precisares, manda o Juvêncio com um
bilhete. Beijou o filho e se foi. Seis meses depois,quando voltou, encontrou a
clínica cheia, o filho atarefado, não puderam conversar até o almoço;conversa
vai, conversa vem, o filho lhe disse, o peito estufado de orgulho:
-Pai, não vás acreditar! Olha que curei o
ouvido do Cel.Eusébio; o homem 'tá que ninguém agüenta, feliz como pinto no
lixo, aonde vai conta a estória e é Deus no céu e eu na terra.
-Então o curaste! O coronel 'tá feliz,mas,eu não estou e logo,logo tu também não ficarás.
-Como assim,papai!? Não te entendo. O coronel tinha uma infecção causada por uma pulga que lhe entrou no ouvido e apostemou,dei-lhe penicilina,ficou curado.
-Meu filho,essa pulga, pagou teus estudos nos Maristas,pagou tua faculdade,anel e diploma,pagou esta casa e meu sítio,bobo.
-Então o curaste! O coronel 'tá feliz,mas,eu não estou e logo,logo tu também não ficarás.
-Como assim,papai!? Não te entendo. O coronel tinha uma infecção causada por uma pulga que lhe entrou no ouvido e apostemou,dei-lhe penicilina,ficou curado.
-Meu filho,essa pulga, pagou teus estudos nos Maristas,pagou tua faculdade,anel e diploma,pagou esta casa e meu sítio,bobo.
E,agora,como vai ser???
Esse texto de humor está no livro "CONTOS E CAUSOS" desta escrivinhadora.
Peça o seu pelo e-mail:miriamdesales@gmail.com.Frete grátis.
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
REPASSANDO:LUIS FERNANDO VERÍSSIMO
Conversa entre pai e filho, por volta do ano de 2031 sobre como as mulheres dominaram o mundo.
- Foi assim que tudo aconteceu, meu filho...
Elas planejaram o negócio discretamente, para que não notássemos Primeiro elas pediram igualdade entre os sexos. Os homens, bobos, nem deram muita bola para isso na ocasião. Parecia brincadeira.
Pouco a pouco, elas conquistaram cargos estratégicos: Diretoras de Orçamento, Empresárias, Chefes de Gabinete, Gerentes disso ou daquilo.
- E aí, papai?
- Ah, os homens foram muito ingênuos. Enquanto elas conversavam ao telefone durante horas a fio, eles pensavam que o assunto fosse telenovela. Triste engano. De fato, era a rebelião se expandindo nos inocentes intervalos comerciais. "Oi querida!", por exemplo, era a senha que identificava as líderes. "Celulite", eram as células que formavam a organização. Quando queriam se referir aos maridos, diziam "O regime".
- E vocês? Não perceberam nada?
- Ficávamos jogando futebol no clube, despreocupados. E o que é pior:
Continuávamos a ajudá-las quando pediam. Carregar malas no aeroporto, consertar torneiras, abrir potes de azeitona, ceder a vez nos naufrágios. Essas coisas de homem.
- Aí, veio o golpe mundial?!?
- Sim o golpe. O estopim foi o episódio Hillary-Mônica. Uma farsa. Tudo armado para desmoralizar o homem mais poderoso do mundo. Pegaram-no pelo ponto fraco, coitado. Já lhe contei, né? A esposa e a amante, que na TV posavam de rivais eram, no fundo, cúmplices de uma trama diabólica. Pobre Presidente...
- Como era mesmo o nome dele?
- William, acho. Tinha um apelido, mas esqueci... Desculpe, filho, já faz tanto tempo...
- Tudo bem, papai. Não tem importância. Continue...
- Naquela manhã a Casa Branca apareceu pintada de cor-de-rosa. Era o sinal que as mulheres do mundo inteiro aguardavam. A rebelião tinha sido vitoriosa! Então elas assumiram o poder em todo o planeta. Aquela torre do relógio em Londres chamava-se Big-Ben, e não Big-Betty, como agora... Só os homens disputavam a Copa do Mundo, sabia? Dia de desfile de moda não era feriado. Essa Secretária Geral da ONU era uma simples cantora. Depois trocou o nome, de Madonna para Mandona...
- Pai, conta mais...
- Bem filho... O resto você já sabe.
Instituíram o Robô "Troca-Pneu" como equipamento obrigatório de todos os carros...
A Lei do Já-Prá-Casa, proibindo os homens de tomar cerveja depois do trabalho...
E, é claro, a famigerada semana da TPM, uma vez por mês...
- TPM???
- Sim, TPM... A Temporada Provável de Mísseis... E quando elas ficam irritadíssimas e o mundo corre perigo de confronto nuclear...
- Sinto um frio na barriga só de pensar, pai...
- Sssshhh! Escutei barulho de carro chegando. Disfarça e continua picando essas batatas...
Luis Fernando Verissímo,escritor brasileiro
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
A MULHER DO GENIVAL
A MULHER DO GENIVAL
O Cumpade Zeca estava faz tempo de olho na bela mulher do Genival,seu vizinho,amigo e compadre.Ela também,morena fogosa,de vez em quando arriscava um olho,uma espécie de namoro de caboclo,como se diz aqui,mas,que não ata nem desata.Um belo dia,véspera de uma viagem que os três fariam ao sítio do Zeca,ele a abordou na varanda e declarou sua paixão,paixão de cavaleiro andante,capaz de pular qualquer obstáculo.Exagerado,disse que pelos belos olhos dela pularia num abismo,enfrentaria todas as leis do mundo e morreria feliz.
Durante a viagem houve um contratempo chato e eles tiveram que pernoitar numa aldeiola que só tinha uma pensãozinha pobre, com um quarto disponível.Como fazer com a dormida?
Genival sugeriu que podiam dormir os três na única cama de casal que havia,sendo que,Maria,a mulher,numa ponta,o compadre na outra e o marido,no meio.Para evitar tentaçõe s
,colocariam uma taboa,separando Maria dos rapazes e tudo correria bem até o dia seguinte.Assim foi feito.
Durante a viagem,á cavalo,o compadre aproveitou para recitar de novo os galanteios e juras de amor,voltando a dizer que,por Maria enfrentaria as penas do inferno.Pularia sobre todas as convenções.
Aí,Maria falou:
-Sê besta,cumpade,tu nun teve corage de pulá uma taboa...
O Cumpade Zeca estava faz tempo de olho na bela mulher do Genival,seu vizinho,amigo e compadre.Ela também,morena fogosa,de vez em quando arriscava um olho,uma espécie de namoro de caboclo,como se diz aqui,mas,que não ata nem desata.Um belo dia,véspera de uma viagem que os três fariam ao sítio do Zeca,ele a abordou na varanda e declarou sua paixão,paixão de cavaleiro andante,capaz de pular qualquer obstáculo.Exagerado,disse que pelos belos olhos dela pularia num abismo,enfrentaria todas as leis do mundo e morreria feliz.
Durante a viagem houve um contratempo chato e eles tiveram que pernoitar numa aldeiola que só tinha uma pensãozinha pobre, com um quarto disponível.Como fazer com a dormida?
Genival sugeriu que podiam dormir os três na única cama de casal que havia,sendo que,Maria,a mulher,numa ponta,o compadre na outra e o marido,no meio.Para evitar tentaçõe s
,colocariam uma taboa,separando Maria dos rapazes e tudo correria bem até o dia seguinte.Assim foi feito.
Durante a viagem,á cavalo,o compadre aproveitou para recitar de novo os galanteios e juras de amor,voltando a dizer que,por Maria enfrentaria as penas do inferno.Pularia sobre todas as convenções.
Aí,Maria falou:
-Sê besta,cumpade,tu nun teve corage de pulá uma taboa...
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
COISAS DA VIDA...
Seu Jairo Santana era um funcionário exemplar;durante os trinta anos que trabalhou na Prefeitura de Salvador,nunca faltou um dia,nem saiu cedo,nem chegou atrasado.Parecia um relógio.Casado com Dona Zuleica,há trinta e cinco anos,tinha dois filhos,Deraldo,hoje,taxista e Marlise,professora.
A mulher cuidava da casa,sempre ás voltas com panelas e crochê;mas,na sua opacidade aparente,era quem mantinha firme os alicerces dessa família,para que,seu Jairo pudesse cuidar,tranqüilo dos problemas do seu trabalho.
Viviam felizes na sua casinha da Ribeira,com um pequeno jardim ,na frente e mamoeiros no quintal;quando entrou na menopausa,Dona Zuleica achou que não precisava mais cumprir as obrigações de cama,penosas para ela e,eles passaram a viver como irmãos.
Seu Jairo já entrado nos cinqüenta não pareceu se importar muito com a nova condição;viviam a mesma vidinha de sempre,iam á missa aos domingos,passeavam á tarde no Porto dos Mastros,para apreciar o pôr-do-sol e tomar um sorvete,sempre de braços dados,o mais perto de intimidade que chegavam.
Mas,como tudo na vida tem um fim,numa segunda feira ensolarada,seu Jairo,deixou pender a cabeça sobre sua mesa de escritório e,suavemente,entregou a alma ao Criador;tinha sido escalado,assim,de repente,sem doença aparente,pois a Magra,não costuma dar aviso.Foi um salseiro,um constrangimento só,um movimento de colegas e até de passantes que tinham negócios a tratar na prefeitura.Todos pareciam muito tristes.Seu Jairo era muito querido.
O velório, no dia seguinte,no Campo Santo,foi muito concorrido,a Municipalidade pagou as exéquias,a mulher compareceu toda de preto,como devia ser,acompanhada pelos filhos,todos muito chorosos.No meio da multidão,ninguém notou uma senhora,ainda jovem,que chorava muito,acompanhada por duas crianças,uma menina,de uns sete anos e um garoto de onze.Estavam meio recantiados,quase escondidos,mas,na hora do enterro,vieram perto da cova e jogaram umas rosas sobre o caixão.Choravam baixinho,controlados,mas,foram notados por Deraldo,que ficou intrigado:-Quem seria aquela mulher?Nunca a tinha visto.
-Aí tem dente de coelho,pensou.
A mãe nada percebeu, a cabeça pendida nos ombros,acariciava os cabelos da filha,abraçadas ambas,solidarias na dor.
A estranha e as crianças foram saindo devagar e Deraldo as seguiu até o ponto do ônibus; sentaram num banco e ele puxou conversa.
-Vieram também enterrar alguém? O garoto respondeu, um leve desafio na voz:
-Meu pai.Trabalhava na Prefeitura,morreu de repente.
Atônito, o rapaz voltou ao cemitério.
Estava claro que seu pai tinha outra família. Mas, como?Quando?Não faltava ao trabalho,nunca saía á noite,não se atrasava,sempre em casa nos feriados e fins de semana.
Só podia ser na hora do cafezinho!

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