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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

CLÁSSICOS DO CARNAVAL BAIANO

O tapete branco na avenida...


Filhos de Gandhy:ritual de saida,no Pelourinho

AFOXÉ FILHOS DE GHANDI



Ninguém consegue conter a emoção quando os Filhos de Gandhy entram na avenida.O tapete branco da paz,mais de 10000 homens desfilando de azul e branco,cantando em iorubá,os ijexás,canções típicas dos cultos afros,o ritmo marcado pelos agogôs,tudo envolto no cheiro da alfazema,10000 homens ou mais,porém,uma só voz,quente,forte,ritmada,o azul e branco dos colares de contas ressaltados pelo branco dos lençóis e toalhas de que são feitas suas fantasias,portadas á moda indiana, não podendo faltar os turbantes.
Tudo em homenagem a Oxalá,o maior de todos os orixás,o guardião dos segredos do mundo,o Senhor da Paz.
O colar azul e branco,cujas contas são amuletos da sorte,representam Oxaguiã,Oxalá jovem e Oxalufã,Oxalá,velho,ou seja o Sol nascente e o Sol posto,já que o orixá representa o Sol,fonte da vida.
As contas azuis simbolizam Ogum,senhor dos metais e dos terreiros,o desembaraçador de encrencas,nosso festejado Santo Antonio.
O bloco só sai ás ruas,depois de todos participarem de um ritual afro,no Pelourinho,para trazer sorte.
Porque Filhos de Gandhi?Fundado a 18 de fevereiro de 1949,por estivadores como Durval Marques da Silva,o Vavá Madeira, oriundos do antigo bloco “Comendo Coentro”,quiseram homenagear o Mahatma Gandhi,profeta da paz e da não violência.Incorporaram ao afoxé a cabra,símbolo da vida e o camelo,símbolo da resistência.Tempos depois,descobriram Raimundo Queirós,sósia de Gandhi,que passou a participar do afoxé e morreu em 2006,com 81 anos.
Houve uma época,que, por motivos financeiros,o bloco não saiu e o Carnaval da Bahia ficou mais pobre;então,Gilberto Gil e um repórter chamado Gerson Macedo,fizeram uma campanha e conseguiram trazer o afoxé,de novo,para as ruas.
Daqui há poucos dias estarão na avenida alegrando nosso carnaval;e,trocando seus colares pelos beijos das moças bonitas e distribuindo banho de alfazema para todos.
Carnaval é alegria;brinque em paz!

domingo, 24 de janeiro de 2010

O POETA DO MAR...



O paulista Vicente de Carvalho,nascido em 1866 e morto em 1924 é um dos poetas brasileiros que se encontra no ostracismo,apesar da beleza poética de suas obras.
Num pais sem memória nem tradição literária essas coisas costumam,infelizmente,acontecer.
Por isso,sempre me proponho a tirar do baú as obras desses poetas e apresentá-la aos leitores de hoje.Apreciem a beleza desses versos e a grande verdade contida nas suas palavras.

VELHO TEMA
Só a leve esperança,em toda a vida,
Disfarça a pena de viver;mais nada.
Nem é mais a existência,resumida,
Que uma grande esperança malograda.

O eterno sonho da alma desterrada,
Sonho que a trás ansiosa e embevecida,
É uma hora feliz,sempre adiada
E que não chega nunca em toda a vida.

Essa felicidade que supomos,
Árvore milagrosa,que sonhamos
Toda arreada de dourados pomos,

Existe,sim,mas,nós não a alcançamos
Porque está sempre apenas onde a pomos
E nunca a pomos onde nós estamos.