Mostrando postagens com marcador prazeres. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador prazeres. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

A PAIXÃO!



“Ninguém viu onde estará
minha lágrima perdida?”
Conheci um homem que me disse que nunca se apaixonou;conheceu uma moça,casou-se ,tiveram filhos,mas,em nenhum momento viveu aquela fúria,aquela explosão de sentimentos,aquele turbilhão, que caracteriza a paixão.Se o medo é o preconceito dos sentidos,a paixão é o transbordamento da alma;olhei para aquele homem,com uma pena sincera.Nunca ter sentido as agonias da paixão,as esperas,as revoltas,as lágrimas,o desespero,a doçura,o frêmito-coitado dele!-não era um homem,era um vegetal.
A boca seca, o olhar ávido,aquele fogo interior que queima as entranhas,aquela lassidez, a vontade de se escravizar,de se tornar rainha,o desejo da doação de si mesma,a fúria do desejo desenfreado,a busca,aquele tesão de doer os dentes,ele não viveu nada disso.Teve uma vida morna como um chá passado.Deve beirar os setenta anos e,nada conhece dos sentimentos humanos.Não sofreu,mas,também,não viveu;não arriscou,mas,também,não ganhou:foi um espectador da vida.Passou pela vida em brancas nuvens,só passou pela vida,não viveu...
Nunca viver um amor imensurável e forte,um amor desvairado,que toque os céus e desafie a morte ,deve ser terrível.Sei que uma paixão desatinada sempre acaba em manchete de jornal:alguns matam e morrem por amor,mas pelo menos,viveram.
Amei e sofri por amor, mas,não me arrependo;escrevi a estória da minha vida a fogo e paixão,desci aos infernos,no terceiro dia ressurgi dos mortos,conheci o delírio e a paz do amor,muitos amores,porque ele tem mil faces.Mas,não trocaria a minha vida conturbada pela pasmaceira mórbida das vidas sem paixão.
Gostou?
Então retorne...

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

A CORTESÃ E AS BEATAS:UMA ESTÓRIA DE HUMOR...


A CORTESÃ E AS BEATAS
Aquela era uma cidade tranqüila até Manon Lescaut chegar ..Dizem que veio corrida do Rio de Janeiro,onde atuava ,com sucesso,na antiga “pensão”da Arlete Lìngua de Prata,famosa cafetina da Capital.Uma senhora escandalizada com os gastos do seu marido havia corrido com ela de lá.O certo é que quando chegou a essa próspera e pacata cidade,revolucionou a moral e os bons costumes,mexendo com as cabeças,algumas bem grisalhas,dos homens ricos da cidade.Estabeleceu-se numa rua de canto com Josina,sua criada particular e alcoviteira renomada,numa grande casa com varanda e jardim,para onde,levados pela música e pela expectativa de prazeres celestiais,acorriam os homens sérios da cidade.Por ser um entroncamento ferroviário,os funcionários graduados da Leopoldina,inclusive alguns engenheiros endinheirados,faziam de lá sua segunda casa.O nome Manon Lescaut,ela deve a um literato do Méier,que adorava literatura francesa.Assim,passou de Ursulina das Neves,nome prosaico,ao estonteante nome da cortesã francesa.E ela mereceu;era linda e sábia.Sua casa era discreta.A comida ótima e o whisky,honesto.
Todos pareciam felizes,exceto as esposas,baratas de sacristia,quase todas,para quem o sexo para a procriação,era um dever penoso demais,uma provação que Deus,não se entende porque,resolvera dar ás mulheres honestas.
A mulher do Prefeito,a do Delegado,a do Juiz,a do Diretor do Colegio,todas se reuniram para expulsar esta chaga da cidade.Ainda mais agora,quando o velho e santo Padre Mart inho se aposentara,surdo como uma porta e estava chegando um jovem padre muito versado nas Escrituras e amigo pessoal do Arcebispo.Como a cidade iria explicar ao honrado homem de Deus,a tolerância(sem trocadilhos)com tal presença na cidade.Daí a darem um ultimatum aos maridos para livrarem-se dela.
Chegou o padre,mas,não saiu a marafona para desespero das esposas.
Segunda, madrugadinha,uma figura alta e magra,bateu na porta lateral da casa da Manon.Veio abrir a criada e o moço escondido por um longo capote,apesar do calor,perguntou pela “moça”.Queria uma “audiência”.A criada disse que infelizmente não podia atende-lo:estava lá o Sr.Dotô Prefeito.-E na terça?
-Ah,”teuça”é o dia do Dotô Delegado.-Mas,tem a quarta!?
-Dia do “meretrissimo”Dotô Juiz.
-Tá danado!Mas a quinta está livre.Meio de semana...
-Qual!Vem o engenheiro...
Já aflito,o rapaz perguntou:
-E a sexta-feira,senhora?
-Vem o Professor Campos,diretor do Colegio.
Então,sobra prá mim o domingo,vá lá?
-Ôxente,então a patroínha não tem direito a descanso,sô pade!???