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quarta-feira, 20 de outubro de 2010

SONETO A QUATRO MÃOS





Tudo de amor que existe em mim foi dado

Tudo que fala em mim de amor foi dito

Do nada em mim o amor fez o infinito

Que por muito tornou-me escravizado.



Tão prodígo de amor fiquei coitado

Tão facil para amar fiquei proscrito

Cada voto que fiz ergueu-se em grito

Contra o meu próprio dar demasiado.



Tenho dado de amor mais que coubesse

Nesse meu pobre coração humano

Desse eterno amor meu antes não desse.



Pois se por tanto dar me fiz engano

Melhor fora que desse e recebesse

Para viver da vida o amor sem dano.



Vinicius de Moraes

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

VAIDADE






Sonho que sou a Poetisa eleita,

Aquela que diz tudo e tudo sabe,

Que tem a inspiração pura e perfeita,

Que reúne num verso a imensidade!



Sonho que um verso meu tem claridade

Para encher todo o mundo! E que deleita

Mesmo aqueles que morrem de saudade!

Mesmo os de alma profunda e insatisfeita!



Sonho que sou Alguém cá neste mundo...

Aquela de saber vasto e profundo,

Aos pés de quem a Terra anda curvada!



E quando mais no céu eu vou sonhando,

E quando mais no alto ando voando,

Acordo do meu sonho...E não sou nada!...



Florbela Espanca ,poetisa portuguesa

terça-feira, 24 de novembro de 2009

CANTINHO DA POESIA

TRISTEZA
Alfred de Musset(1810-1857)
Eu perdi minha vida e o alento,
E os amigos,e a intrepidez,
E até mesmo aquela altivez,
Que me fez crer no meu talento.
Vi,na Verdade,certa vez,
A amiga do meu pensamento;
Mas,ao senti-la,num momento
O meu encanto se desfez.
Entretanto,ela é eterna,e aqueles
Que a desprezaram -pobres deles!-
Ignoraram tudo,talvez.
Por ela,Deus se manifesta,
O único bem que ainda me resta
É ter chorado uma ou outra vez.

Alfred de Musset,poeta francês,considerado o mais clássico dos poetas românticos e o mais romântico dos poetas clássicos.Influenciou vários poetas em toda a Europa.
Img:Lilases,tela da artista Graça Campos