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quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

VIAGEM Á ESPANHA!




Cansada da sengracice das viagens aéreas,rápidas,mas,insossas,decidi ir da trem de Barcelona á Madri. Saímos da Estación di Sanctis, num trem confortavel, limpo e com cabinas climatizadas;era começo de outubro e o frio já se fazia presente. Passamos por suburbios ferroviarios, que nem de longe se parecem com os daqui,tão feios e tão sujos;belas casas,jardins,um certo quê de opulencia; na Europa é chique morar nos suburbios. O trem corria,célere,"a la orilla del mar". Passamos pela bela cidade de Tarragona,onde eu ja havia estado,de navio. Está um radioso dia de sol e já alcançamos Torredembarda, lindo burgo com um castelo medieval;pena que não pude saber nada da sua história,eu que sou vidrada em historia antiga.Um rapaz passou empurrando um carrinho cheio de gulodices, água e refrigerantes;vai e vem com seu carrinho,prá lá e prá cá,num balé monótono.
 Mudei de janela,escolhi uma panorâmica,a 38-39;tinha direito;afinal,é minha primeira viagem de trem,na Europa,e aqui não temos disto; nunca entendi como um país continental,como o nosso, pode prescindir do transporte ferroviario.
Meu vagão está semi-vazioAs poltronas são anatômicas,ponho minha valise de mão no chão e meus pés sobre ela.
A viagem transcorre como um belo sonho ;não há barulhos,nem fumantes,tudo perfeito.
Estamos eu Lliure,avisto uma praia bem bonita,deve ficar lotada,no verão.
Casas ricas,brancas,mediterrâneas.Muita quietude e paz;deve ser um lugar bom para viver;
O trem para na estação, torço para que não entre ninguém para me expulsar do "meu"banco;entra uma "señorita",mas,senta no banco ao lado.
Conversamos,ela conta que é de Tarragona,mas,não gosta de cidades grandes,vai trocar por uma menor.
De repente ,uma música envolve a cabine,com alegres acordes-Contos dos Bosques de Viena-meu coração se aquece.
O trem só demora 5 minutinhos e "se marcha"Vem um funcionário com auriculares para os passageiros  ouvir em um filme que passa na TV á minha frente.
A voz, no autofalante anuncia o inicio do serviço de bordo;passará um funcionario para anotar os pedidos.
Chegamos a Reins exatamente ás 13.05 hs.é uma região agricola,muitos silos para armazenar grãos;Pequeno burgo encravado nas rochas,uma pequena estação;avisto as torres dos campanários,ao fundo;recordo a música de Calheiros,que tanto ouvi na minha infancia:"no alto dum campanario,uma cruz simboliza o passado..."Não sei como essas coisas vêm parar ás nossas cabeças.Percebi muitos túneis,entra em um para sair em outro...Boas rodovias,bem sinalizadas,paralelas á via férrea.
Paradel de la Texeta,plenos campos espanhois.Vejo um rio,com praias,qual será? O Ebro,talvez...Outra cidadezinha campesina,um ar bem antigo;linda de doer! Um pontilhão,sobre um belo rio,região de serras baixas e escarpadas.O rio nos acompanha,ferrovia,rio,estrada.
O balanço do trem começa a me dar sono;epa!uma cidade grande,qual será?a falta que um mapa faz.Vejo um monjolo,num campo infinito;um rio largo,uma central elétrica Erkinia S/A é o nome da usina ou parque industrial. O rio fica mais largo,passamos por Fayón,um pequeno arrabalde.Um pequeno vale entre montanhas,uma horta bem tratada,alguns açudes e aguadas.
Vou ao toilete,que se parece com o dos aviões,limpo,funcional e impessoal.Circunspectos senhores , empregados da RENFE-rede ferroviaris espanhola,passam por mim com a postura de lordes ingleses;perfumados,elegantes nos seus paletós marinhos. Começa uma região de fazendas-Chiprana_outro vilarejo campestre;Samper de Calanda,tem um pequeno castelo ou monasterio,parece um pequeno "village",adoravel.Depois de km. de planicies áridas e desgraciosas estamos chegando a Zaragoza, apenas avistei   os campos cultivados,passamos distante da cidade.Uma adoravel igrejinha medieval-La Cartuja-ilumina a paisagem.
Esta é a Espanha industrializada,repleta de silos,fábricas e barracões.Aviso de chegada á Zaragoza,bela cidade da região de Aragón.
Chegou a senhora , dona da minha cadeira;muito gentil,não quis que eu saísse;justo,justissimo;ela deve fazer esta viagem com freqüencia,eu não;feliz como pinto no lixo,continuei olhando tudo.
Os avisos internos do trem são em catalão,espanhol e inglês. Admiro uma fortaleza em Ricla,no alto de um morro.A TV mostra partes de Madri a ser visitadas e eu me delicio com as cores do outono,uma luminosidade indescritivel;imagino o cheiro lá fora,aquele adocicado no ar,as folhas caindo,aluz.
Paraciellos,fazendas e mais fazendas,um castelo em ruinas,no alto guardando a cidade.
Passamos Terrel,agora Atecas,um "poble" de casa feias,Alhama de Aragón,Ariza.
Pôr do sol no campo,matizes sépia,belas plantações de flores e muito,muito verde;visões de Matisse,Thoreau,Utrillo...Estamos perto de Madri,uma rodovia estreita e sem acostamento,corre paralela a nós.Os nomes desfilam Medinacelli,Torralba.
Uma visão bíblica,um criatório de carneiros, de repente o chão se cobre de branco,milhares de patas,os borregos,tão bonitinhos;aqui se come muito "ternero" e exportam também. Guadalajara,cidade grande,ja deve ser arredores de Madri. São 18.20hs;daqui a meia hora,chegaremos.Pronto:Estação Chamartin,exatamente no horario.
Adorei a viagem que recomendo a quem não tem pressa de chegar,Belas paisagens de Espanha,que nunca veremos de dentro de um avião e nunca saberemos o quanto perdemos.Olé!!!!

segunda-feira, 31 de maio de 2010

PORTUGAL , MEU AVÔZINHO




Brasileira por nascimento e portuguesa por coração,quero fazer uma louvação à Portugal.

Se estivesse lá , na terrinha,certamente estaria em Guimarães,berço da nacionalidade,recordando Afonso Henriques,a batalha de Aljubarrota,cantando cantigas d’amor ou cantigas d’amigo,nos vetustos salões do castelo,esperando,quem sabe,por milagre,cruzar com Dom Afonso indo ás cavalariças,para espairecer um pouco,entre os queridos animais,das intrigas da Corte.Uma palavra eu tenho na ponta da língua quando avisto Guimarães: reverencia.!

Uma interrogação no olhar,uma ânsia de saber,quem foram realmente essas pessoas,por que nasceu esse homem,por que lutou, em nome de que ideal, morreu!?

Se eu morasse no Minho,certamente seria chamada de caçarelha,que lá é pessoa tagarela,que tudo quer saber e não guarda segredo.

O castelo visto de fora parece maior.

Há pedras do tempo de Dom Fernando e madeira mandada armar pela condessa Mumadona,mas,há também restaurações recentes;mas,não tem jeito,eu mergulho,de cabeça no rio da historia.quero saber,imaginar,quais foram os antepassados desse povo heróico,marítimo,viajeiro, esse povo que está bem em qualquer lugar,mas,não esquece sua gente,sua pátria; esse povo que inventou o fado,a saudade ,o caldo verde,esses gigantes que construiram os Jerônimos,esses navegadores imortais que alargaram o mundo,fazendo dele,seu quintal.

A historia ainda se faz presente em Guimarães;o passado está lá,nas mesmas pedras brutas que sentiram os pés de D. Afonso e por onde passaram também os antonios,os manueis,os álvaros,os josé marias,toda a raça portuguesa,rija e forte,fibra de conquistadores.Gostaria de dormir numa água-furtada em frente à Praça do Toural s sonhar com cavaleiros e donzelas.

Vento, céu, solo, sol são os mesmos ;e eu,tão pequenininha diante de tanta magnitude,sinto uma alegria imensa de estar aqui, louvando o que deve ser louvado,amando de paixão esta terra e este povo,meus ancestrais,feitos de lágrimas,sangue e saudades.

Portugal,jardim da Europa  á beira-mar plantado, meu coração é vosso!

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sexta-feira, 21 de maio de 2010

A QUEM POSSA INTERESSAR...






Não foi apenas por sorte que o Dr. Lobão tornou-se um respeitado capitalista.O homem era uma raposa para os negócios e sabia agarrar as boas oportunidades quando elas apareciam e tomar a dianteira aos seus concorrentes sem dó nem piedade.

Com a idade e a fortuna, tornou-se um filósofo.Alguns milhões de reais cuidadosamente amealhados lhe proporcionavam esse luxo.

Seu primeiro casamento ,ainda jovem e pobre foi com uma distinta senhora bem mais idosa que tinha uma grande fortuna a qual,graças ao seu discernimento,só fez crescer.

Já o segundo casamento,então herdeiro da esposa anterior,ele procurou no “grand monde”,pois queria uma moça jovem,bonita,elegante,culta e,finalmente encontrou Cidinha,menina de boa família,com todos os predicados que ele apreciava e trinta e cinco anos mais moça do que ele.

Fez-se o casamento,com pompa e circunstancia,veio gente até de Londres e Paris,que ele hospedou na sua mansão da Barra da Tijuca,coisa de sonho:sete suítes,piscina olímpica,pista de pouso e uma floresta particular.

Todos os jornais noticiaram e todos os invejosos comentaram:

-Aquele ‘tá comprando jornal prá outros lerem...

A noiva,linda,tinha a graça das adolescentes quando em sociedade e um andar felino,sensual,prometedor,quando se debruçava sobre alguém para oferecer um drink ou um chá e deixava entrever a curva dos seios perfeitos.

Lânguida,levemente blasé parecia a serpente Lilith em busca das últimas maçãs do paraíso.

O marido, encantado,não lhe negava nada.Freqüentava chás,desfiles de moda,as praias,os teatros e cinemas,os clubes esportivos,onde jogava tênis,sempre só,sem dar satisfações a ninguém.

Depois de um ano de casados,o burburinho e o “disse-me-disse”era tamanho que ,como não podia deixar de ser,chegou aos ouvidos inocentes do marido.Seu nome honrado levado às sarjetas,falado e comentado em todos os muquifes e em todos os salões.

Para o velho foi um duro golpe;pior até do que a perda de oitocentos mil dólares na Bolsa ,graças às roubalheiras de um investidor americano,gente superior, não sabe o senhor,que quando rouba,o faz em proporções estratosféricas.

Mas,homem acostumado a enfrentar problemas e perdas,passado pela porra de Pôncio Pilatos,tentou,com sucesso,resolver a situação de uma forma que livrasse o seu nome de manchas tão incômodas e a sua cabeça acostumada a carregar cartolas,de outros enfeites menos nobres.

Afastou a possibilidade de viajar;seria muito bom,mas,não poderia,devido aos seus negócios.Mas,o amante da sua mulher,poderia.O importante era mantê-la aqui com ele e o amante longe,pois isto poria fim aos comentários e as fofocas morreriam no nascedor.

O capitalista, sem pensar duas vezes,mandou essa nota para os jornais:

A QUEM POSSA INTERESSAR

Um marido enganado, homem de bem,previne ao amante de sua esposa que vá à Agencia de Turismo ...receber a sua passagem para uma volta ao mundo no Queen Mary,que sairá domingo próximo do Cais da Praça Mauá.

Se ele não embarcar será morto na segunda-feira.

Avisada a agencia,da qual ele era um dos sócios,ficou descansado,esperando o sujeito ir buscar a dita passagem.

Sua tranqüilidade morreu,porém,na segunda-feira.

Tinham seguido viagem,lampeiros e felizes,por sua conta 50 passageiros .De primeira classe!

domingo, 15 de novembro de 2009

MENSAGEM DO DIA!


Feiticeira,feiticeira

Leva-me nas tuas asas

Pelas planíceis do ar.

Nessa esplêndida carreira

Mais breve que o pensamento

O fulgor do firmamento

Vou contigo atravessar!

(Luis Felipe Leite,professor,escritor e jornalista português)

sábado, 7 de novembro de 2009

A QUEM POSSA INTERESSAR...




A QUEM POSSA INTERESSAR...

Não foi apenas por sorte que o Dr. Lobão tornou-se um respeitado capitalista.O homem era uma raposa para os negócios e sabia agarrar as boas oportunidades quando elas apareciam e tomar a dianteira aos seus concorrentes sem dó nem piedade.
Com a idade e a fortuna, tornou-se um filósofo.Alguns milhões de reais cuidadosamente amealhados lhe proporcionavam esse luxo.
Seu primeiro casamento ,ainda jovem e pobre foi com uma distinta senhora bem mais idosa que tinha uma grande fortuna a qual,graças ao seu discernimento,só fez crescer.
Já o segundo casamento,então herdeiro da esposa anterior,ele procurou no “grand monde”,pois queria uma moça jovem,bonita,elegante,culta e,finalmente encontrou Cidinha,menina de boa família,com todos os predicados que ele apreciava e trinta e cinco anos mais moça do que ele.
Fez-se o casamento,com pompa e circunstancia,veio gente até de Londres e Paris,que ele hospedou na sua mansão da Barra da Tijuca,coisa de sonho:sete suítes,piscina olímpica,pista de pouso e uma floresta particular.
Todos os jornais noticiaram e todos os invejosos comentaram:
-Aquele ‘tá comprando jornal prá outros lerem...
A noiva,linda,tinha a graça das adolescentes quando em sociedade e um andar felino,sensual,prometedor,quando se debruçava sobre alguém para oferecer um drink ou um chá e deixava entrever a curva dos seios perfeitos.
Lânguida,levemente blasé parecia a serpente Lilith em busca das últimas maçãs do paraíso.
O marido, encantado,não lhe negava nada.Freqüentava chás,desfiles de moda,as praias,os teatros e cinemas,os clubes esportivos,onde jogava tênis,sempre só,sem dar satisfações a ninguém.
Depois de um ano de casados,o burburinho e o “disse-me-disse”era tamanho que ,como não podia deixar de ser,chegou aos ouvidos inocentes do marido.Seu nome honrado levado às sarjetas,falado e comentado em todos os muquifes e em todos os salões.
Para o velho foi um duro golpe;pior até do que a perda de oitocentos mil dólares na Bolsa ,graças às roubalheiras de um investidor americano,gente superior, não sabe o senhor,que quando rouba,o faz em proporções estratosféricas.
Mas,homem acostumado a enfrentar problemas e perdas,passado pela porra de Pôncio Pilatos,tentou,com sucesso,resolver a situação de uma forma que livrasse o seu nome de manchas tão incômodas e a sua cabeça acostumada a carregar cartolas,de outros enfeites menos nobres.
Afastou a possibilidade de viajar;seria muito bom,mas,não poderia,devido aos seus negócios.Mas,o amante da sua mulher,poderia.O importante era mantê-la aqui com ele e o amante longe,pois isto poria fim aos comentários e as fofocas morreriam no nascedor.
O capitalista, sem pensar duas vezes,mandou essa nota para os jornais:
A QUEM POSSA INTERESSAR
Um marido enganado, homem de bem,previne ao amante de sua esposa que vá à Agencia de Turismo ...receber a sua passagem para uma volta ao mundo no Queen Mary,que sairá domingo próximo do Cais da Praça Mauá.
Se ele não embarcar será morto na segunda-feira.
Avisada a agencia,da qual ele era um dos sócios,ficou descansado,esperando o sujeito ir buscar a dita passagem.
Sua tranqüilidade morreu,porém,na segunda-feira.
Tinham seguido viagem,lampeiros e felizes,por sua conta 50 passageiros .De primeira classe!