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quarta-feira, 23 de março de 2011

NOSSAS LEMBRANÇAS!






                               
                              Eu,em Paraty



Comecei o dia muito feliz, passeando naquela aldeia do Alentejo;respirava com avidez o cheiro do mato,a brisa suave de verão,a serenidade das ovelhas pastando , despreocupadas do seu destino.
De repente, senti uma sensação opressiva de tristeza e comecei a chorar,os soluços afligindo meus amigos,que estavam felizes por me proporcionar este passeio.
Muitos anos  e muitos estudos depois descobri o motivo;era o grito do meu inconsciente  recordando-me a infância,a fazenda do meu pai,o cheiro de terra,o perfume do alecrim- de- vaqueiro tão comum no Nordeste,mas,existindo também em Portugal,talvez  com outro nome.A saudade da infância e,conseqüentemente,do Brasil,bateu forte.
O inconsciente não perdoa.
Como nos seria impossível relembrarmos e guardarmos no consciente todas as nossas sensações e experiências acumuladas ao longo dos anos, elas ficam adormecidas até que,um dia,por qualquer motivo,afloram sem o nosso querer.
Como o cheiro do sabonete Maja,da Myrurgia,famosa marca espanhola de cosméticos,comum nos anos 60.Quando vejo o sabonete e sinto o cheiro ,volto imediatamente no tempo,há 45 anos atrás,quando nasceu Consuelo,minha primeira filha.Meu pai,avô orgulhoso da primeira neta,me levou uma caixa desses sabonetes,ainda na maternidade.22 anos depois eu desencavei uma caixa não lembro aonde e levei para minha filha,quando nasceu Thiago,seu primeiro filho.Cumpriu-se a tradição apesar do meu velho pai já ter partido para as estrelas.
Voltando a meu pai,impossível não lembrar nossas viagens de jeep,seu carro favorito,para Salvador,vindos da roça.Ele assobiava uma canção do folclore mexicano, Adelita,que Nat King Cole popularizou anos depois;ele assobiava e eu cantava e assim a viagem ficava mais agradável e nem sentíamos os solavancos da estrada.
São tantas as lembranças e muitos os símbolos que as causam!
As músicas de Chico Alves, que eu ouvia da janela da minha casa em Miguel Calmon, vindas de um alto-falante preso num poste, tão comum nas nossas cidades de interior; bem como o incenso que saia  da igreja nas procissões de 8 de Dezembro,dia da Padroeira,nas quais eu participava vestida de anjo,antes dos meus demônios começarem a mostrar as caras.
As lembranças tristes, embora também presentes,ficam mais relegadas ao esquecimento para surgirem depois na forma de recalques,incomodando como um nervo exposto.
Toda vez que entro no Hospital Português, bem à esquerda tem uma escultura de bronze representando a madona abraçando uma criança.
Há 62 anos atrás, meu pai, desesperado  ajoelhou-se ali e me abraçou profundamente no âmago do seu desespero;minha mãe estava entre a vida e a morte com placenta prévia enquanto tentava pôr no mundo meu irmãozinho;os médicos conseguiram salvar a mãe,mas,não a criança.
Fico pensando na minha boa estrela que não me permitiu cair na orfandade aos quatro anos de idade.
Assim é. Todos temos os nossos fantasmas e as nossas recordações,que enfeitam nossas vidas e muitas vezes ajudam a forjar nosso destino.
...e eu sinto a minha vida de repente
Presa por uma corda do Inconsciente
A qualquer mão noturna que me guia!
Fernando Pessoa)

segunda-feira, 31 de maio de 2010

PORTUGAL , MEU AVÔZINHO




Brasileira por nascimento e portuguesa por coração,quero fazer uma louvação à Portugal.

Se estivesse lá , na terrinha,certamente estaria em Guimarães,berço da nacionalidade,recordando Afonso Henriques,a batalha de Aljubarrota,cantando cantigas d’amor ou cantigas d’amigo,nos vetustos salões do castelo,esperando,quem sabe,por milagre,cruzar com Dom Afonso indo ás cavalariças,para espairecer um pouco,entre os queridos animais,das intrigas da Corte.Uma palavra eu tenho na ponta da língua quando avisto Guimarães: reverencia.!

Uma interrogação no olhar,uma ânsia de saber,quem foram realmente essas pessoas,por que nasceu esse homem,por que lutou, em nome de que ideal, morreu!?

Se eu morasse no Minho,certamente seria chamada de caçarelha,que lá é pessoa tagarela,que tudo quer saber e não guarda segredo.

O castelo visto de fora parece maior.

Há pedras do tempo de Dom Fernando e madeira mandada armar pela condessa Mumadona,mas,há também restaurações recentes;mas,não tem jeito,eu mergulho,de cabeça no rio da historia.quero saber,imaginar,quais foram os antepassados desse povo heróico,marítimo,viajeiro, esse povo que está bem em qualquer lugar,mas,não esquece sua gente,sua pátria; esse povo que inventou o fado,a saudade ,o caldo verde,esses gigantes que construiram os Jerônimos,esses navegadores imortais que alargaram o mundo,fazendo dele,seu quintal.

A historia ainda se faz presente em Guimarães;o passado está lá,nas mesmas pedras brutas que sentiram os pés de D. Afonso e por onde passaram também os antonios,os manueis,os álvaros,os josé marias,toda a raça portuguesa,rija e forte,fibra de conquistadores.Gostaria de dormir numa água-furtada em frente à Praça do Toural s sonhar com cavaleiros e donzelas.

Vento, céu, solo, sol são os mesmos ;e eu,tão pequenininha diante de tanta magnitude,sinto uma alegria imensa de estar aqui, louvando o que deve ser louvado,amando de paixão esta terra e este povo,meus ancestrais,feitos de lágrimas,sangue e saudades.

Portugal,jardim da Europa  á beira-mar plantado, meu coração é vosso!

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quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

O VALOR DA ALEGRIA!


O VALOR DA ALEGRIA!
Ah,se eu tivesse vivido num passado como o lembro agora!
Millôr
Para que perder tempo remoendo o passado?
Vamos cultivar a alegria e o otimismo, viver o presente sem mágoas,construindo um mundo novo dentro de nós.
O que já fizemos,passou,ficou prá trás, são experiências,más experiências,fruto da nossa inconseqüência ou desconhecimento do mundo;ou das leis que o regem.
A solução é andar prá frente, consertando velhos erros,adquirindo cada vez mais a sabedoria de viver,praticando o bem,ajudando a quem precisa.
A palavra é tão pequenina,mas,pode mudar o mundo.Ou destruí-lo.
Estenda a mão para as pessoas,tenha sempre nos lábios uma palavra de conforto,um toque de carinho no olhar ,um sorriso de compreensão e bondade e verá que esse investimento de amor,retornará para você,na forma de energias positivas que vão iluminar o seu caminho.
E você,amigo(a) conhecerá a paz!