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sábado, 8 de maio de 2010

MINHA MÃE!


"Eu vi minha mãe rezando

aos pés da Virgem Maria;

era uma santa,escutando

o que outra santa pedia."

(cancioneiro popular)



Minha mãe era professora numa vila de roça, perdida no mapa da Bahia ,um daqueles lugares que vão do Nada A Coisa Alguma.
Mocinha de classe média, que sempre morou em Salvador, meu avô jamais entendeu o porque daquela ânsia,daquele sonho de garota,que aos dezessete anos,recém formada pela Escola Normal,resolveu ensinar no interior da Bahia,nos anos 30,quando Lampião e seu bando,infernizavam o sertão.
“É inacreditável a força que as coisas parecem ter,quando elas precisam acontecer”,canta o poeta Caetano, numa de suas músicas. O certo é que ,á maneira de César,mas,de um modo contrário a ele,ela chegou,viu e venceu.Lá,ensinou com uma santa paciência garotos de seis anos de idade a idosos de setenta que nunca tinham pegado numa caneta.Seus alunos,quase todos,eram muito mais velhos do que ela.
Um dia ,numa aula de Literatura(?)é,ela arranjava um jeitinho de ler e comentar os bons escritores e poetas brasileiros,naquela exígua sala de aula,com o chão de terra batida e coberta de sapé.
Depois de ler e comentar o poeta do dia-provavelmente Castro Alves ou Gonçalves Dias,- que ela adorava -um aluno,chamado Firmino,vaqueiro de profissão,trinta e cinco anos de idade,quando começou a aprender o ABC ,disse que queria recitar uma trovinha.
-Pois,recite,disse minha mãe.
-Fessora,é uma trovinha besta,que fiz prá senhora.E mandou ver:
Lá vem a lua saindo
Por detrás do buriti;
Não é lua ,não é nada,
São os oio de Araci.
Minha mãe chamava-se Araci. Araci de Sales Oliveira,professora durante 60 anos,pois se aposentou á força,beirando os 75 anos.Seu nome ,veio do tupi,Ara-ci”mãe do dia” ou “a cigarra” ou ainda,aurora.
Mãe dos humildes sempre foi; espírita de carteirinha,depois que se aposentou,trabalhou em obras sociais, fazendo enxovaizinhos lindos e bordados para as crianças pobres ou a campanha do cobertor para os moradores de rua,ou,ainda ,a sopa dos velhinhos,de todo sábado;seu salário era quase todo destinado a isto.

Quem quiser saber quantas pessoas ela ensinou a ler, quantas alminhas encaminhou na vida, a quantos doutores formados ensinou as primeiras letras,é só contar os fios dos seus cabelos brancos.
Prestando uma homenagem a ela, que,enquanto viveu foi minha força e meu norte,e,quando partiu deixou-me o legado do seu caráter e do seu amor pela verdade,homenageio também, todas as minhas muitas amigas ,colegas e leitoras deste país que me acolheram com tanto carinho e atenção.
“UM FELIZ DIA DAS MÃES PARA TODAS”!!!


domingo, 14 de março de 2010

A HISTÓRIA DA PEQUENA MALTRAPILHA E SEU PALHAÇO DE PANO.


Parecia que a vida brincava com seu destino. Por força queria ser alguém, filha de ricos, viver num sobrado, vestir lindas roupas, todas elas com bastante babados, estilo Branca de Neve. Ficava horas a fio junto à tia que costurava a espera que sobrasse algum retalho de fazenda, para ter um vestido novo.

Não importava as diferenças. Tinha tudo no vestido, variedades de cores, tal qual o céu repleto de estrelas. Babados e babados, todos eles complemento dos retalhos sobrados. Para ela era a pequena Branca de Neve, linda, linda. Os pobres são assim, se contentam com o pouco, desde que lhe caia bem. A ela só restava além do sonho de ser grande, bonita, a doutora da família, mas, a panela de açaí que era obrigada a carregar na cabeça e aos gritos: _Olha o açaí, quem vai querer? Era a rotina diária após chegar da escola que lhe ditava a realidade.

Não ia de gosto, trocava a farda pelo vestido remendado que a mãe lhe dava para aquela ocasião, remendadinha. A exigência era o vestido limpinho, passado a ferro. Tomava banho, um pouco de talco que a avó preparava com batata de araruta. Após secagem, era pilado num pedaço de pano branco. Aquele pó conservava a pele limpa. Saia para a missão, sempre às onze da manhã para ajudar os pais.

O pai vendia peixe e a mãe tinha uma banca de mingau, guloseimas. Quando não era época do açaí, vendia pipoca, dentro de um saco, pelo bairro. Naquele tempo as casas eram dispersas, bairros se formando, ela tinha medo de tudo, mas por companhia tinha sempre um irmão maior ou a irmã menor.

Certo dia a fome associada à preguiça fez com ela comesse toda a pipoca. Tome peia para aprender a ser honesta. Naquele dia a pancadaria foi tanta que a asma atacou forte, nem a mamona, vomitório de péssimo paladar a fez melhorar. Nem o mastruço, o amor-crescido, o chá de baratas torradas, chá de caramujos que ela mesma apanhava num navio antigo que ainda fica na beira mar dos Educandos. Nada servia para aquela doença chata. O chiado, dia e noite não a deixava em paz, mas como dizia sempre: __ Vaso ruim, não quebra!

Seu consolo era o velho palhaço de pano que alguma bondosa velhinha lhe dera de presente. Como ele sofria com ela! Sua vingança era no pobre coitado. Sem força alguma de defesa, ele se deixava levar para cima e para baixo, ficava todo sujo o coitado, mas era o seu amigo fiel. Seu confidente. A ouvia sempre dizer: _ Odeio, odeio todos eles. Tudo que acontece errado sou eu que faço. Odeio, odeio... Ainda vou ser grande, serei muito importante, vocês vão ver. Até tu palhacinho, haverás de ver-me respeitada, um nome sagrado nesta terra. Odeio esta cidade, mas é aqui que vou brilhar. Ele nada sabia daquilo. O que aquelas palavras queriam dizer, mas ela se alimentava delas.

Cabelinho sempre amarrado estilo Maria Chiquinha, as fitas vermelhas lhe davam um colorido maravilhoso, ela deixava de ser a menina pálida para se tornar alegre pela força do vermelho. Acreditava piamente no feitiço do vermelho, na força poderosa daquela cor que achava linda e insubstituível. Além do vermelho, o amarelo, cor do astro-rei lhe dava as energias para poder enfrentar as feras como ela chamava seus pais e irmãos. Hoje, adulta, ainda tem na alma muito daquela criança sofrida, esgulepada, rebelde, batalhadora, de fibra. Manaus, xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

Nota da autora.

Na história da menina maltrapilha e seu palhacinho de pano talvez tenha contado parte da minha história verídica, sofrida, mas da qual me orgulho, tenho boa voz, como coralista conheço quase todo o Brasil com ela, dignidade é a palavra chave. Nada me veio de graça, a base maior foram os livros, estudos, quem não tem padrinho, devem estudar dobrado. Porque quem aprende enfrenta as tempestades. Vence. Manaus, 15 de março de 200


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Ana Zélia da Silva, amazonense, de Manaus, nascida em 16.11.1943. Pertence ao signo da transformação-Escorpião e se orgulha disto. Advogada. Secretária aposentada do Eg. Tribunal de Justiça do Amazonas, membro da Academia Brasileira de Estudos e Pesquisas Literárias, ocupando a cadeira de nº 05 pertencente a Câmara Cascudo, faz parte da ASSEAM, Associação dos Escritores do Amazonas autora do livro Mulher! Conquista Fácil!... (Poesias e crônicas) editado pela Universidade Federal do Amazonas em 1996, edição esgotada, atriz, radialista e mãe. Orgulha-se de ter sido agricultora e de tentar gritar ao mundo que a Amazônia é nossa. Uma cidadão pre3ocupada com os rumos do país e do planeta. Principalmente com a violência contra a Mulher, tendo diversos poemas sobre o assunto.Exerce a literatura com marcante objetivo social. Tem várias premiações. 1º lugar X ZONARTE-SESC/1991, poesia encenada. Título: Ah! Se eu tivesse tido chance!(na pele de um cheira-cola emite o grito que eles não podem emitir). 2º lugar (XI ZONARTE/SESC/1992) poesia encenada; título AH! VIDA! (assume uma mendiga, são os sem teto, sem nada): 2º lugar, II FESPOINT (Festival de Poesia Interpretada/Manaus/1998) título: UM OLHAR PARA O FUTURO!( poema encenado com quase 30 personagens, Assim é Ana Zélia.


Obras Físicas Publicadas
Mulher! é o bicho! Destaque- Concurso Nacional de Poesias/1994) a mais solicitada nas escolas, cifrada pelo grupo Jequitáia e cantado pelo mesmo. QUEDAS, TROPEÇOS, UM BOM COMEÇO!... 5ª edição, 6.000 exemplares) pequenina no tamanho, mas já adentrou a Academia Brasileira de Letras.
LEITOR:
É com o maior orgulho que publico um texto da escritora amazonense Ana Zélia da Silva,neste novo espaço dedicado aos leitores e escritores.
Quer divulgar sua estória?
Publique aqui.

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segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

VIVENDO E APRENDENDO

A CRÍTICA
Ás vezes necessária,mas,quase sempre mal recebida.
Você gosta de ser criticada?Nem eu,por isso evito agir assim.
Porque não substituir a danada da crítica por um bom conselho ou mesmo uma colaboração,ou até comentar o fato usando uma parábola,como Cristo.
Para atingir meu objetivo conto uma estória,como se tivesse acontecido com alguém que conheço,um caso similar ao que está acontecendo com aquela pessoa a ser criticada e assim despertá-la;ou morrer tentando.
Tudo isso porque a crítica fere e palavras mal empregadas são piores que espadas.
E, quem gosta de criticar tudo e todos,a chamada “palmatória do mundo”,muitas vezes se vê sozinha e isolada.
O conselho vale bem mais que a crítica como uma moeda de troca social.
Mas,o que vale mesmo é o nosso próprio exemplo.
Vamos tentar?