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quinta-feira, 9 de setembro de 2010

CÃO FIEL!




Os donos daquele sitio sentiam-se em segurança..

Era uma propriedade grande na Estrada Velha do Aeroporto, zona meio insegura por ser muito afastada da cidade e com favelas ao redor.

Mas, tinha Fido.

Era um pastor alemão dócil com as crianças,mas,terrível para os inimigos.Seu tamanho e corpulência assustava.

Bem treinado,só comia o que os donos lhe davam portanto não corria o risco de “bolas”.

À noite era visto correndo a propriedade, atento a tudo,fuçando tudo,escorraçando gatos vadios ou vadios humanos.

Mas,um dia,deu a louca no Fido;era lua cheia e o cão pulou o muro e ganhou a rua.Estava tudo calmo àquela hora e a rua deserta;gatos vadios faziam sonetos ao luar.

O cachorro foi seguindo o muro da casa até chegar na esquina,sua velha conhecida;era lá que Joca,o filho do patrão,o levava para passear.

Encruzilhada é sempre complicado até para humanos decididos,mas,Fido,após pensar um pouco,dobrou à esquerda.

Caminhando sem aparente destino certo,chegou perto de uma grande casa com jardim,onde percebeu a presença de alguém do sexo oposto.

Todos os seus instintos afloraram e ele parou,observando.

Criando coragem tentou empurrar o portão do jardim;não conseguiu.Reparou no muro,muito alto,mas,isso era lá problema para um cão atlético,bom corredor e acostumado a pular muros?

Tomou distancia e...pronto:pulou facilmente o muro.

O que aconteceu lá dentro não vou contar porque não sou nenhuma mariazinha e não fico tomando conta da vida dos outros;mas,que demorou um bocado lá dentro,demorou.E que saiu com uma cara muito satisfeita lá isso saiu,sim,senhor...

Terminado o encontro, voltou para casa pelo mesmo caminho .

No poste da esquina, deixou sua marca,sem culpa,pois aqui não é proibido fazer xixi na rua,ainda mais de madrugada.

Pulou o alto muro da casa,ágil,lampeiro,feliz,desafogado e começou sua ronda de todas as noites.

Dentro ,aconchegados,os donos dormiam despreocupados.





terça-feira, 12 de janeiro de 2010

SEMPRE AO SEU LADO


SEMPRE AO SEU LADO(Hachiko,a dog’s story)
Os filmes e livros de cachorrinhos andam fazendo muito sucesso;talvez,decepcionados uns com os outros,os homens prefiram pôr ,na prática,o velho ditado:”quanto mais conheço os homens mais eu gosto do meu cão”.
Sempre ao seu lado, porém,é uma estória diferente;quem sabe,por ser história.Baseia-se num fato acontecido no Japão e rendeu até um monumento em bronze para o cachorro -um monumento à fidelidade-sentimento cada vez mais difícil às pessoas comuns.
Sabe, como sou apaixonada por cachorro,cinema e dou um grande valor à fidelidade,fui ver o filme,numa dessas tardes calorentas de verão,em Salvador.
O cachorrinho Hatcho, que significa o número 8,em japonês,número mágico que une o céu e a terra,conquistou meu coração.É um akita,linhagem antiga,cheia de elegância e nobreza.E de fidelidade ilimitada ao seu dono.
Baseada nesta comovente estória real,o diretor Lasse Hallström, fez um filme sóbrio,divertido,filosófico(o dono escolhe o cão ou este escolhe o dono?),e comovente,mas,nunca melodramático.
Talvez por homenagear sentimentos que as pessoas de hoje desconhecem, o filme esteja fazendo tanto sucesso;a ponto de Hachiko, Hachi para os íntimos,ter roubado quase todas as cenas;com o consentimento de Richard Gere,claro.
Na platéia,centenas de suspiros,ruídos de lágrimas e até soluços incontidos ouvidos no final,soaram como um canto de cisne,para nós,seres hoje tão carentes de antigos valores.
Ao chegar em casa,abracei profundamente meu cachorro de 14 anos,o velho Billie,que comigo envelheceu e está onde eu estou,sempre ao meu lado,também.