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quinta-feira, 6 de maio de 2010

CARTAS DE AMOR


Uma carta de amor...

Não,as cartas de amor não são ridículas;ridículo é quem nunca escreveu uma carta de amor...
Fernando Pessoa

Amor, o dia amanhece e eu me pergunto se tenho competência para registrar nesse papel, a beleza do teu gesto de amor e inquietude , quando , ontem ,cansado de me esperar e já indócil,você abriu a porta num sanafão e , surgiu entre as rosas ,um ar de espectativa e procura , no rosto.
Teria pressentido o bater da porta do taxi onde eu estava,louca para correr para os teus braços,enquanto esperava o motorista conferir o troco?
Aquela atitude de inquieta espera foi o mais doce presente de amor que você me deu.
Todo o universo parou neste momento – entre o tempo do meu saltar e o tempo da tua procura – estático , entre as rosas.
Longo tempo de espera logo esquecido e compensado pelas tórridas horas de amor que tivemos naquele leito macio ,perfeita comunhão entre corpo e espírito , horas que começaram muito antes,nós dois a nos arrumar para a grande festa dos sentidos,abrindo armários,procurando adereços,a nos enfeitar como dois adolescentes,você a desencavar relógios antigos e anéis talismãs escondidos em baús cheirando a patchuli,eu , caprichando nos cremes e blushes,preparando-me para você,só para você,luz dos meus olhos.
Meu bem , eu te amo sim. De que é feito esse amor ,admiração,respeito,atração sexual,ternura? Acho que um pouco de tudo isto...
As pessoas se aproximam umas das outras atraídas pela beleza ou pelo sucesso , mas ,para se relacionar mesmo , criar laços , unir corpo e alma ,só a pessoa da gente , o nosso eu interior , a nossa magia, o nosso encanto e magnetismo.
Assim como eu amo você;pela pessoa que você é,pela aparência que tem ,do jeito que é só seu ,e com a idade que você tem.Porque você,meu bem – amado , é muito gente e, sobretudo porque nós nos completamos ,a mão e a luva ,a tampa e o balaio , o côncavo e o convexo , o céu e a terra.
“Entonces donde estabas?
Entre que gentes?
Diciendo que palabras?
Porque se me vendrá
todo el amor de golpe
cuando se siento triste, y te siento lejano”
Pablo Neruda
IMG:Busca Google
A mistura dos tratamentos tu e você foi proposital para dar um toque mais coloquial à missiva.
Os puristas que me perdoem ,mas, o clima é fundamental.
A autora

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

CONSIDERAÇÕES SOBRE O AMOR!



Hoje amanheci atacada de megalomania e decidi falar de amor; um tema difícil, porque são muitas faces de uma só palavra, é assunto a ser tratado por gente tarimbada, não por mim, pobre escrevinhadora destas mal-traçadas. Porque,o amor engloba paixão,afeto,ternura,cada um de per si,um sentimento único,mas,que se funde numa só palavra:AMOR.
E quando é que a gente sabe que foi atacada por esse fogo que arde sem se ver?È quando as pernas tremem, um calor percorre todo o corpo, a boca fica seca, uma sensação de ansiedade ,de urgência nos envolve, as mãos ficam frias, há um aperto na boca do estômago, o desejo enorme de agradar, a necessidade de acarinhar, cuidar, proteger; a gente se transforma, um homem vira um deus, ninguém é mais dono de si.
Para Cazuza,”amar é abanar o rabo”.
O certo é que,apesar de leve como uma pluma,esta palavra tão pequenina,escraviza.O amor é um sentimento forte,de intenso bem-querer,voltado para outra pessoa;bom é procurá-lo,melhor é achá-lo.Enfim, não é coisa prá amador.
Para os casais felizes começa com paixão e termina em afeto. O amor romântico é perigoso,porque,faz a gente enxergar o outro,com os olhos da fantasia,não como ele realmente é,mas,como gostaríamos que fosse.Enxergamos um príncipe,que -helás- logo,logo,virará sapo.Vem envolvido numa aura de semi-deus e ,como a gente quer enxergar o ídolo,ignora os pés de barro.
Se um relacionamento superar a fase romântica e puder enxergar nosso parceiro como ele realmente é,com seus defeitos e qualidades, o amor durará por muito tempo.O nosso amado passa a ser real e não a projeção dos nossos ideais;amar é cessão e concessão;temos que aprender quando ceder e quando conceder;temos que nos ajustar um ao outro,mas,sem perder o nosso eu interior e sem sufocar o parceiro;eu não disse que amar é fácil:é como fazer um trem desgovernado descer ladeira abaixo sem descarrilar até chegar á estação.É um trabalho hercúleo!
Não creio em metades,mesmo que sejam “caras”,só pessoas inteiras e livres podem fazer a doação de si mesmas.Os casais felizes não se auto-mutilam,respeitam o parceiro como ele é;vamos continuar sendo estrelas de Belém,vaquinha de presépio ninguém quer ser e muito menos conviver cm elas.Toda cópia é cansativa.”Tal como a sombra,o amor corre de quem o segue”,diz o poeta.
Há que ser criativo para se levar,com êxito,ao barca do amor a um porto seguro;expulsar a rotina,como uma praga.
O sexo é uma parte importante do amor, mas, não é o todo; convém ser inventiva; no amor, o importante é manter a fantasia: se casar com um alemão, se vista de Polônia, para que ele a invada.
Há muito que falar de amor, mas, o tema é longo, está mais para compendio que para ensaio.
O casamento é o túmulo do amor?
Bem casada há justos 25 anos, penso que não; mudam as paixões, mas, o amor tem muitas faces; advém o carinho, o afeto, a proteção, a segurança de chegada ao porto; quando conheci meu marido, alto, forte, alegre, bon-vivant, quente (porque homem e café têm que ser quente e forte) eu me apaixonei e o achei lindo; hoje, tantos anos depois, barrigudo e um pouco careca, eu continuo achando lindo e ainda gosto de deitar minha cabecinha naquele peito de transatlântico.
Se tudo correr bem e agente aprender as lições da vida, o casamento não precisa começar em motel e terminar em pensão (alimentar).


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IMG:Busca Google

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

SEMPRE AO SEU LADO


SEMPRE AO SEU LADO(Hachiko,a dog’s story)
Os filmes e livros de cachorrinhos andam fazendo muito sucesso;talvez,decepcionados uns com os outros,os homens prefiram pôr ,na prática,o velho ditado:”quanto mais conheço os homens mais eu gosto do meu cão”.
Sempre ao seu lado, porém,é uma estória diferente;quem sabe,por ser história.Baseia-se num fato acontecido no Japão e rendeu até um monumento em bronze para o cachorro -um monumento à fidelidade-sentimento cada vez mais difícil às pessoas comuns.
Sabe, como sou apaixonada por cachorro,cinema e dou um grande valor à fidelidade,fui ver o filme,numa dessas tardes calorentas de verão,em Salvador.
O cachorrinho Hatcho, que significa o número 8,em japonês,número mágico que une o céu e a terra,conquistou meu coração.É um akita,linhagem antiga,cheia de elegância e nobreza.E de fidelidade ilimitada ao seu dono.
Baseada nesta comovente estória real,o diretor Lasse Hallström, fez um filme sóbrio,divertido,filosófico(o dono escolhe o cão ou este escolhe o dono?),e comovente,mas,nunca melodramático.
Talvez por homenagear sentimentos que as pessoas de hoje desconhecem, o filme esteja fazendo tanto sucesso;a ponto de Hachiko, Hachi para os íntimos,ter roubado quase todas as cenas;com o consentimento de Richard Gere,claro.
Na platéia,centenas de suspiros,ruídos de lágrimas e até soluços incontidos ouvidos no final,soaram como um canto de cisne,para nós,seres hoje tão carentes de antigos valores.
Ao chegar em casa,abracei profundamente meu cachorro de 14 anos,o velho Billie,que comigo envelheceu e está onde eu estou,sempre ao meu lado,também.