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quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

ALÉM DA VIDA






É indiscutível. Todos nós acreditamos ou, no mínimo,desejamos,que haja vida após a morte.
Para isso, para ter essa certeza,o homem inventou Deus e, as religiões,espertamente,faturaram com isso.Elas vivem explorando o medo e a esperança.
Mas, não estou aqui para filosofias,mas,sim,para falar do magnífico novo filme de Clint Eastwood,”Além da Vida”.(Hereafter),que assisti,anteontem,entre minhas muitas obrigações,literárias ou não.
Há muito não vejo um filme de tão sublime beleza.
A cena inicial, mostrando o tsunami na Indonésia em 2004 ,foi uma das cenas mais realistas e magistrais que já assisti;e,não,nada tem a ver com o cinema catástrofe,tão ao (mau) gosto americano.
Essa cena não está ali por acaso; o autor quer mostrar como inesperadas, pequenas ou devastadoras tsunamis podem virar de ponta – cabeça nossas vidas.E,como é difícil para nós,humanos,lidarmos com a morte.
Os personagens são três. Não se conhecem, vivem em lugares diferentes e não têm nada em comum, a não ser a presença da morte em suas vidas. E a busca pela verdade, a procura pelo que há além.
O personagem Marie (Cécile de France),atingida pelo tsunami,morre por alguns minutos,vislumbra o outro lado e,quando volta à vida não é mais a mesma.
Obcecada pela idéia de ter visto o lado de lá, perde credibilidade no seu trabalho, perde o homem de sua vida e o direito de publicar o livro que sempre sonhou; pois,quis  escrever outro,onde fala da sua experiência ,de que não devemos aceitar passivamente a morte,porque,ela pode,sim,ser a passagem para uma outra vida,ela não é absoluta,pois,pode sobreviver numa outra esfera,diferente desta que conhecemos.  Matt Damon é George,um médium que vive em São Francisco e sente-se cansado de transitar entre dois mundos.
Abandonar essa tarefa de elo  de  ligação entre os que ficam e os que  se foram,o está deixando muito perturbado e sem saber que sentido dar à sua própria vida.
Assim, deixa de lado esse dom maldito e vai trabalhar como um simples operário e fazer um curso de culinária afim de se integrar ao mundo real.
Em Londres, os gêmeos Marcus e Jason, (Frankie e George McLaren ,fazem ambos o papel)  filhos de uma mãe viciada ,apóiam-se um no outro,e lutam para proteger a mãe,das autoridades do Serviço Social,até que o inesperado acontece,trazendo dor e mágoa para essa já triste família.
As três estórias  mostram personagens com sentimentos distintos a respeito da morte;Marie,que acredita na continuação ,depois dela; o desespero da perda,no caso de Marcus e os assuntos que a morte deixou pendente,no caso de George.
A magistralidade  do filme está, principalmente, no modo comedido que o diretor Eastwood se comporta,pois,não dá bandeira,não  deixa nenhuma brecha para que nós identifiquemos os seus pensamentos a respeito da sobrevivência do espírito.
Duas cenas foram marcantes para mim; uma,carregada de um sutil erotismo quando George faz uma colega do curso de culinária provar,de olhos vendados,pequenas colheradas de um tempero;ambos coram,encantados com o prazer recíproco.
A outra cena, no metrô ,quando Marcus persegue um boné e,por causa disto,escapa de um atentado a um trem,em Londres;olha,essa cena fez uma mulher descrente e vivida .se arrepiar...
É um grande filme .Ou melhor,é um filme magistral!


PALAVRA DO  LEITOR:

Oi querida! Ainda não vi, mas estou curiosíssimo! De Clint Eastwood só poderíamos esperar tudo de bom! Parabéns pela iniciativa de divulgação. É um tema que interessa a todos independente de credo ou religião. Beijos

Paulo Martins,leitor







Querida Miriam de Sales;
amiga e poetisa, excelente narradora;
Você é tão gentil que sempre nos deixa aquela sensação de não retribuir à altura, o que deve ser efetivo.
Gostei muito das suas dicas sobre o filme Além da Vida, principalmente por ser um assunto que muito me interessa. Como poderia alguém não se interessar?
Irei vê-lo logo.
Hugo Homem,escritor baiano



12/01/11 10:09 - Silvia Regina Costa Lima,poetisa paulista

Como vai, poeta? ****Bom Dia, menina! ...com certeza vou querer ver
depois daqui.. esta semana falei sobre a imortalidade também. em um
poema... vc está bem?... tão sumida.. affffffff.... ** E hoje há -
Argonauta - em meu soneto ******* Um beijo azul com saudades





12/01/11 10:09 - Chagaspires,leitor

PODERÁ O HOMEM SER REALMENTE O CRIADOR? ESTA É A INDAGAÇÃO PRINCIPAL
DA VIDA E DA MORTE. ABRAÇOS.
OBS. É PRECISO QUE A SEMENTE MORRA PARA PODER A PLANTA NASCER.
ESTA É MINHA CONCEPÇÃO.


5/01/11 23:08 - CONCEIÇÃO GOMES

Faz tempo que não vou ao cinema, mas penso que vou agora. E eu
pergunto: se não houver o alem da vida, porque vivemos?


quarta-feira, 24 de novembro de 2010

OOOPS! ELA VOLTOU...



Pois é,cara pálida,até eu rendi-me a ela.Tenho dormido uma hora da manhã por sua  causa .
Estivemos juntas no final dos  anos 80 quando todo o país parava para acompanhar suas maldades.Todos a odiavam , apaixonadamente.
Estou falando de Odete Roitman,a vilã mais famosa da TV e sua paródia Maria de Fátima,essa mesma,com um nome de pobre que odiava visceralmente.
-Envergonho-me de assinar este nome numa folha de cheque,dizia.Embora não se envergonhasse de roubar talões alheios ou falsificar cheques dos outros.
Para ela,valia tudo,contanto que deixasse de ser pobre.
No cotidiano brasileiro dos anos 2000 elas continuam vivíssimas e dando as cartas,sem mudarem um milímetro dos seus pensamentos.
O canal a cabo “Viva” ressuscitou as duas que agora tiram nosso sono.
A novela maniqueísta continua fazendo sucesso apesar do estereótipo dos seus tipos,-os bonzinhos,muito bonzinhos,os maus,sempre muito maus-assim são os personagens,não os seres de carne e osso.Neste intervalo temos outros vilões menos votados:O Marco Aurélio,chairman da TCA;o César,gigolô e trambiqueiro que quer apenas se dar bem.Ah,mas,também temos os bonzinhos!A Raquel e sua eterna inocência de telenovela;o Ivan,que quer subir na vida,armando truques que ele considera inocentes,a Heleninha,sensível e terna,lutando contra o alcoolismo e a grande massa trabalhadora sem tempo de sonhar como o taxista,o Pollyana,dono de buteco,a mulher descasada que precisa trabalhar,as funcionárias da TCA que morrem de medo de perder os empregos e,como não podia deixar de ser o puxa-saco,personagem que não pode faltar nas estórias brasileiras reais ou imaginárias.Todos convivendo num país caótico,com uma inflação nunca vista e o desemprego reinando soberano,destruindo o sonho dos jovens e derrubando velhos guerreiros já sem forças para a luta,como o personagem  Bartolomeu, pai do Ivan.
Esta novela,apesar do seu lugar comum e  do seu cotidiano folhetinesco tem  um mérito;foi pioneira em trazer para a telinha a discussão de assuntos polêmicos como o alcoolismo,as drogas,os direitos das minorias e das crianças,as relações homosexuais e a eterna discussão entre as gerações sobre valores passados e futuros.
Odete Roitman representa a  elite que não suporta o país.Gente que veio do nada e enricou ,mas,continuou com os mesmos costumes e preconceitos,a mesma falta de ética,o mesmo desprezo pelos mais pobres,pois,o dinheiro não compra lhaneza    nem uma educação que vem de berço que um novo-rico jamais conhecerá..Vemos esta classe  vergonhosamente representada naquela guria de Bragança que passeou recentemente pela net e pelos  jornais.
Já a Maria de Fátima traz de volta  a “social climber” que quer subir a qualquer custo,não importa quem atropele pelo caminho,seja sua própria mãe ou seu próprio filho;além de passar a perna nos amigos,é claro...
O personagem da Regina Duarte ,para mim,é contraditório;é um personagem bobo.Lídima representante de valores suburbanos –muita ética,muita crença,-porém,muita ingenuidade e muita confiança também,que a leva a errar por excesso muitas vezes.Como a própria atriz e seus preconceitos contra um presidente nordestino,barbudo e comunista  de quem confessava “morrer de medo”...
É um personagem irreal,com o qual não me identifico,por isso ,prefiro os vilões.
A terrível Odete,por exemplo,diz coisas ácidas,mas,sábias  como quando afirma que o mal do Brasil é a educação,ou a falta dela.Ou quando  critica os sem iniciativas,a turma do deixa prá lá...
No fundo é uma pessoa egoísta que não via nada errado nos seus atos.Conhecemos muitos  assim;basta ver como se comportam nossos políticos...
È por isso que seu personagem intrigante está vivíssimo e gente como eu continua dormindo à uma da matina para saboreá-lo.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

AUSTRÁLIA


O filme quis reviver o épico”Entre Dois Amores” e ao menos se aproximar do épico dos épicos...”e o vento levou”.
De parecido ,tem a duração(quase três horas) ,a montagem(monumental) e a excelente fotografia.
A Austrália é um continente longo e vazio; o filme,também;porém,a gente assiste com agrado e nem vê o tempo passar;no meu caso,que sei muito pouco sobre esse continente misterioso,adorei reviver a Austrália dos anos quarenta,com seus aborígenes místicos e mágicos e os barões do gado lutando pela sobrevivência num continente hostil,suando para transportar cerca de 1500 cabeças de gado através de despenhadeiros e desertos áridos.
Tudo isto temperado com uma bela estória de amor ,que ,como todas,tem um casal louco prá ir prá cama e uns vilões para atrapalhar ;neste caso,um barão de gado inescrupuloso,e,por fim os japoneses que bombardearam a Austrália em 1940.
Para adulçorar a trama ,o diretor Baz Luhrmann,acrescentou um garotinho nativo adorável,que os “aussie”(como os australianos eram chamados pelos ingleses)nomeavam de “café com leite” e só foram vistos como gente nos anos sessenta.
Desculpem-me ,mas ,eu ,pessoalmente ,não gosto da Nicole Kidman e,neste filme,ela não está bem;o mocinho,chamado no filme de “the driver” (o condutor)é o boa pinta Hugh Jackman,não desmerece o papel.e o vilão,David Wenham,um pouco careteiro,mas,faz parte.
Olha,diverte;se quiserem,apanhem aqueles quilométricos sacos de pipoca,mais um tonel de refrigerante e encarem.Para tornar o programa ainda mais típico ,que tal jantar no Outback bebericando uma caipirinha “aussie?
Quem sabe “king george”,o aborígene gulapa(mágico)não abre seus caminhos,cantando uma música para lhe fazer voltar?
Boa Sorte!
Este filme está disponível nas locadoras e na TV a cabo.


quinta-feira, 18 de março de 2010

A ILHA DO MEDO (SHUTTER ISLAND)


Cinéfilo apaixonado e diretor magnífico tudo que é feito por Scorsese sai,no mínimo,perfeito.
Não foi diferente com “A Ilha do Medo”,que está nas telonas.
Leonardo Di Caprio é Teddy Daniels (mas,será mesmo Teddy Daniels?),um investigador federal que,em 1954,ruma com seu parceiro (Mark Ruffalo) para uma remota ilha onde se estabeleceu um presídio – manicômio para assassinos com doenças mentais,considerados de alta periculosidade.
Forasteiros não são bem aceitos,principalmente policiais.
Mas,com o impasse provocado pela fuga de uma paciente de alto risco,o jeito foi pedir auxílio à polícia.
Teddy entra de peito na investigação que denota fatos muito suspeitos.
Nos interrogatórios,os funcionários mostram-se dúbios,resistentes e às vezes,hostis; como quando ele faz perguntas sobre um preso,um incendiário que matou sua esposa.
O enredo foi adaptado de um livro de Dennis Lahane,o mesmo que escreveu “Sobre Meninos E Lobos”;
Conhecedor profundo de cinema,Scorsese,cria um cenário de suspense que lembra os filmes de Hitchcock,com uma fluidez que vai desde o cenário,plúmbeo até os atores.Seu parceiro lembra muito Dana Andrews,um excelente ator dos anos cinqüenta,fugidio e misterioso.
Há toques de cinema – noir de Fritz Lang,dos melodramas de Douglas Sirk,dos climas de visões e sonhos aterrorizantes de Jacques Tourneur.
A paranóia de policiais clássicos deve-se ao macartismo,época em que todos desconfiavam de todos e tinham medo de todos e de tudo.
E,entre seus terríveis pesadelos Teddy lembra cenas horríveis que presenciou em Dachau,campo de concentração alemã,na Segunda Grande Guerra.
Como o leitor verá nada é o que parece ser.
Só Scorsese continua um cineasta magistral!
Já viu o filme? Gostou?
Então dê sua opinião.
LEIA MAIS:
AVATAR, O FILME
INVICTUS
JULIA & JULIE: ESTE FILME VALE A PENA VER...




FALA O LEITOR:
20/03/2010 14:25 - Milla Pereira ,escritora e poeta paulista
Miriam! eu adoro filmes em ilhas remotas, com todos os perigos emisterios. Ainda nao vi este, mas vou e logo. Bela resenha, obrigada.Beijos e bom fds. Milla

20/03/2010 14:24 - Norma Suely Facchinetti
Ainda não assisti ao filme, mas depois desta bela resenha, vou programar para este fim de semana. Beijos querida.

02/04/10 20:41 - Maria Olimpia Alves de Melo,escritora mineira
Não vi o filme mas tenho o livro, excelente por sinal, como é dofeitio do Lehane. Mas ridiculamente a edição brasileira do livro sechama Paciente 67 quando a Ilha do Medo seria muito mais atrativo (embora também não seja o nome original). Diria como vc mesmo dissesobre Scorsese - no mínimo, tudo o q vc escreve, é perfeito.