Bahia antiga
ALGUMAS MULHERES FICAM MAIS BELAS NA MATURIDADE...
PARABÉNS,SALVADOR,ETERNA MENINA
CANTADA POR CAYMMI E JOÃO GILBERTO
AMADA POR AMADO
REVERENCIADA POR TODOS NÓS!
Bahia moderna,
eterna Bahia...
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terça-feira, 29 de março de 2011
sábado, 26 de junho de 2010
TRADIÇÕES DA BAHIA :O YEMANJÁ
Entre os orixás,Yemanjá é um dos mais respeitados;representa o mar,fonte de toda a vida e um dos mais potentes elementos da natureza.
Deus e as águas! exclamamos, pedindo proteção aos mais fortes.
Nunca saberemos exatamente quem teve a idéia de criar o Restaurante Yemanjá.
Conta a tradição que ele nasceu na Rua Carlos Gomes,centro de Salvador, famosa rua de comércio popular paralela à Avenida Sete.
A responsável pelas delícias ali servidas era a famosa quituteira Anália que os mais velhos dizem ter sido cozinheira em casa de Jorge Amado. Não tenho certeza, mas,o povo fala.
O certo é que em 1969 ,D. Anália mudou-se para o Bairro Boca do Rio instalando-se onde hoje fica o restaurante Agdá.
Foi desde então que passei a freqüentá-lo levada pelo olfato.
O cheiro das moquecas, vatapás e acarajés faziam todos correr para lá.Eu e a torcida do Bahia,muito poderosa nesta época,cuja sede ficava ali pertinho.
O Centro Administrativo também, e, tome gente,cada dia mais,um chamando o outro, num festival de cheiros e gostosuras capaz de derrubar qualquer regime.
O nome Yemanjá foi posto por causa das visões de uma menina, filha de D. Anália.que jurava ver uma linda moça e esta lhe entregava um punhado de ouro.
Vestida de azul,envolta em brilhos,só podia ser Yemanjá.
Um belo painel naïf pintado nas paredes do fundo do restaurante dá credibilidade à estória.
No dia 19 de novembro de 1974 o Restaurante Yemanjá passou para sua sede atual.O ambiente lembra um galpão de pescadores e foi obra do artista plástico Édilo.
Um dos mais tradicionais da Bahia esse restaurante que nunca mudou seu estilo,qualidade dos pratos e a simpatia das suas “baianas” recebe centenas de milhares de visitantes e gourmets do mundo inteiro, atraídos pela moqueca de siri catado,pelo bobó de camarão pelo caruru e vatapá,de se comer rezando.
Quer o melhor de Salvador? Então,meu rei,passa lá...
IMG:Busca Google
segunda-feira, 29 de março de 2010
PARABÉNS PARA UMA VELHA SENHORA
Salvador faz hoje 461 anos. Nossa bela capital,apesar da idade,está cada dia mais nova e saudável.Apesar do seu lado austero,cheia de monumentos centenários e 365 igrejas,como diziam os antigos(nunca contei,mas,sei que são inúmeras,vetustas e,quase todas muito ricas),uma nova cidade começa a surgir,com bairros urbanizados e elegantes,largas avenidas,hotéis luxuosos e condomínios maravilhosos cercando suas praias.A cidade enfrenta ainda,muitos problemas,comuns aos grandes centros urbanos do país:segurança,saúde,educação,transporte;mas,aos poucos e com paciência(uma virtude dos baianos)tudo vai sendo resolvido a contento e podemos receber bem,com o jeitinho baiano tão cantado em prosa e verso,os turistas que nos visitam.
Não sei se o brasileiro é “o homem cordial”, de que nos fala Buarque de Holanda,no seu “Raízes do Brasil”;mas,sei que o baiano é cordial,amistoso,alegre,companheiro e sempre pronto a receber bem quem nos visita.
Nossas portas estão sempre abertas e sempre cabe mais um nos nossos corações.
A cidade que hoje aniversaria foi saudada pelo sol e seus raios de luz e calor envolveram todos os seus filhos; o mar trouxe uma brisa fresca e as árvores pareciam sorrir. Afinal, é festa na Bahia!
A cidade que hoje aniversaria foi saudada pelo sol e seus raios de luz e calor envolveram todos os seus filhos; o mar trouxe uma brisa fresca e as árvores pareciam sorrir. Afinal, é festa na Bahia!
Mas,me diga,ioiô,quando é que não é?
À tarde, na Praça Tomé de Souza ,teremos um bolo monumental para saudar a “menina”,logo depois de um ato ecumênico com a participação do Coral da Cidade;mais tarde,samba e alegria não vai faltar.
Hoje também, fazem 501 anos da chegada do primeiro europeu a viver na cidade,Diogo Álvares Correia,o Caramurú,que casando-se com a filha do cacique Taparica,a bela Catarina Paraguaçú,deu origem á miscigenação entre as raças brasileiras,que fizeram deste país uma ilha de paz e concórdia,graças ao entendimento entre raças diferentes.
Para celebrar esta alegria, termino com os belos versos finais do poeta Martins D’Alvarez sobre a Bahia:
Bahia, filha de um sonho
Que teve Nosso Senhor,
Depois fazer o universo,
No dia que descansou;
E, que depois de criada
Agradou tanto ao Criador
Que este de uma só penada
-com letra bem caprichada-
escreveu sobre a fachada
“Terra de São Salvador!”
À tarde, na Praça Tomé de Souza ,teremos um bolo monumental para saudar a “menina”,logo depois de um ato ecumênico com a participação do Coral da Cidade;mais tarde,samba e alegria não vai faltar.
Hoje também, fazem 501 anos da chegada do primeiro europeu a viver na cidade,Diogo Álvares Correia,o Caramurú,que casando-se com a filha do cacique Taparica,a bela Catarina Paraguaçú,deu origem á miscigenação entre as raças brasileiras,que fizeram deste país uma ilha de paz e concórdia,graças ao entendimento entre raças diferentes.
Para celebrar esta alegria, termino com os belos versos finais do poeta Martins D’Alvarez sobre a Bahia:
Bahia, filha de um sonho
Que teve Nosso Senhor,
Depois fazer o universo,
No dia que descansou;
E, que depois de criada
Agradou tanto ao Criador
Que este de uma só penada
-com letra bem caprichada-
escreveu sobre a fachada
“Terra de São Salvador!”
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
SAUDOSISTA É FOGO!...
Que tal relembrar o banho de mar à fantasia,naqueles bons tempos do Porto da Barra,quando as areias eram limpinhas,não havia farofeiros,nem frescobol,nem celulares a tocar,nem aquele cheirinho da loló que exala por toda a praia?
Tá lembrado,companheiro?Isso mesmo, você ai que já sessentou,que dançava no Baiano e fazia o corso na Avenida,empunhando sua lança perfume como arma de sedução,remember?
No banho à fantasia era exigido decência no vestir,proibido ruídos e vozerios incomodativos ou palavras de baixo calão que poderia perturbar as famílias.
O mesmo acontecia em Copacabana,só que lá a lei era escrita,decreto mesmo e ai de quem desobedecesse!...Era chamado de “lei da praia”.
O banho era destinado às “gentilíssimas banhistas”,que desejassem homenagear o grande Netuno e as naiades e sereias;tudo escrito em bom francês,”comme Il faut”.Isso no começo do sec.XX.
Aqui em Salvador,as madames levavam para as areias,champanhe,tira-gostos,chamados solenemente de “hors d’oeuvres” ,além do mordomo,enluvado,é claro,suando em bicas no seu traje de garçon,no calor da Bahia.
O baile desfilava em toda a extensão da praia com muita música e alegria até culminar no Baiano,cujas matinés eram disputadas e bem freqüentadas.
Talvez,o primeiro banho à fantasia tenha começado no Rio,há quase um século,mas,com diversas modificações ainda resiste ao embate dos tempos.
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
ESTÓRIA DE UM AMOR...

HISTÓRIA DE UM AMOR!
Dadinha era a morena mais bonita do bairro da Ribeira. Como essa estória se passa no início do século passado,eu diria –sestrosa-;assim se chamavam as belas daquela época,com suas longas madeixas acetinadas e seus olhos de ressaca,como diria Machado,o Mestre.
Num bairro habitado por pescadores pobres, nossa heroína,além de tudo,era quase rica.Seu pai,um português muito religioso,era dono da única padaria do bairro,sujeito remediado que habitava um sobradinho em cujo jardim cultivava gerânios;a mãe,senhora seca e carola,só teve essa filha;provou e não gostou,diriam os arreliadores do bairro que não respeitavam nada.
O fato é que Dadinha passeava a sua moreneza no Porto dos Mastros, todo final de tarde,fazendo sonhar os rapazes,entre eles,um poeta de cabeleira á Castro Alves,que declamava sonetos á lua.Seus negros olhos tinham um fogo,logo percebido pelos verdes olhos da mocinha,e,ambos os olhos se apaixonaram.
O problema é que o rapaz não tinha eira nem beira e seu único patrimônio era os olhos negros e os versos;moeda desprezível aos olhos do galego que não se cansava de dizer á filha:-seja quem for o poeta,esse ou aquele,nunca na vida te aproximes dele.Mas,a moça não só se aproximou,como andaram se encontrando ás escondidas pros lados da Igreja da Penha,escondidos pelas árvores vetustas e pelas sombras,propícias ao amor.
Com o tempo , precisaram de um cocada,que é como se diz na Bahia,o leva-e-traz,que ajudava os enamorados;neste caso,o “Quiabo Duro”,um seco rapazinho,muito ágil e calado ,filho da madrinha do poeta.Para não despertarem suspeitas,arrumaram um apelido para ambos;ela,seria melancia,fruta da predileção do namorado;ele,coco mole,que ela adorava comer.Havia algo de pecaminoso e sensual na escolha dos codinomes,mas,não foi intencional;algo subjetivo,sim senhor.
O namoro ia progredindo, escondido e lento,cheio de mistérios e códigos secretos de fazer inveja á CIA,se naquele tempo ela já existisse.
-Tem melancia na feira!gritava o garoto,e,o rapaz logo corria para a frente da igreja,onde juraram um dia,se casar.
-Coco Mole!passava o rapaz pela frente do sobrado,a menina arrumava uma desculpa e corria para o local aprazado.
Assim iam tocando a vida.
Não há mal que sempre dure, nem bem que nunca se acabe,dizia a minha vó,sábia senhora que me contou esta e outras estórias.
A tempestade chegou na forma de um valdivinos,recém chegado da Terrinha,para ser primeiro caixeiro da padaria e o “alter ego” do português,que o tinha em alta conta de gajo sério e trabalhador;o fato do sujeito cheirar eternamente a alho,ter muitas espinhas e ser magro como um bacalhau de porta de venda,não pareceu importar ao pai da menina que cismou em casá-la com o patrício.
Como era uso naquela época, ela foi apenas notificada e teve que se dobrar á vontade paterna.
Inteirado da notícia, Coco Mole,duro e teso,sem poder fazer nada,sumiu no mundo;tinha um tio que labutava na Marinha Mercante,cortou os cabelos,criou cores e coragem e embarcou num cargueiro mar a fora.
Dadinha ficou com um cacho dos cabelos do amado,que mandou encastoar em ouro e usava numa corrente,junto ao peito.
O casamento sofreu alguns atrasos, afinal,o pretendente tinha que “tomar estado”,juntar algum,fazer uma casa,as coisas não podiam ser feitas nas coxas.
Dois anos e meio tinham se passado; ninguém sabia notícias do marujo e,o casamento,enfim,foi marcado.Seria em Maio,mês das noivas e de Nossa Senhora,na Igreja da Penha,ás seis horas da tarde,com pompa e circunstancia,como deveria ser as bodas de uma filha única.
Branca e radiante vai a noiva...Seria mesmo?
Dadinha,com a palidez da morte e olhos chorosos,caminhava para o altar como se fosse para o cadafalso;o que se passava na sua cabeça,de suas dores,quem saberia?Alimentada pelas lembranças,caminhava...
De repente, de fora da igreja,um moleque gritou,a plenos pulmões:
-Melancia,Coco Mole está na terra!
Dadinha, desvencilhou-se da multidão,arrepanhou a cauda e correu como louca para a porta,deixando estupefatos pais,noivos e convidados.
Um pequeno barco a motor a esperava. Nele,um belo marujo atlético,tostado pelo sol de quatro mundos,lépido,a tomou nos braços e rumaram para um cargueiro que os esperava na barra.
Voltaram a Salvador quinze anos depois, já mortos os pais dela,trazendo dois belos garotos e se estabeleceram na Ribeira,que viu nascer e abençoou seus primeiros amores.
...e ,entrou por uma porta e saiu pela outra,peça ao rei,meu senhor,que te conte outra.
Assim minha avó terminava suas estórias.
Assim repasso!
Dadinha era a morena mais bonita do bairro da Ribeira. Como essa estória se passa no início do século passado,eu diria –sestrosa-;assim se chamavam as belas daquela época,com suas longas madeixas acetinadas e seus olhos de ressaca,como diria Machado,o Mestre.
Num bairro habitado por pescadores pobres, nossa heroína,além de tudo,era quase rica.Seu pai,um português muito religioso,era dono da única padaria do bairro,sujeito remediado que habitava um sobradinho em cujo jardim cultivava gerânios;a mãe,senhora seca e carola,só teve essa filha;provou e não gostou,diriam os arreliadores do bairro que não respeitavam nada.
O fato é que Dadinha passeava a sua moreneza no Porto dos Mastros, todo final de tarde,fazendo sonhar os rapazes,entre eles,um poeta de cabeleira á Castro Alves,que declamava sonetos á lua.Seus negros olhos tinham um fogo,logo percebido pelos verdes olhos da mocinha,e,ambos os olhos se apaixonaram.
O problema é que o rapaz não tinha eira nem beira e seu único patrimônio era os olhos negros e os versos;moeda desprezível aos olhos do galego que não se cansava de dizer á filha:-seja quem for o poeta,esse ou aquele,nunca na vida te aproximes dele.Mas,a moça não só se aproximou,como andaram se encontrando ás escondidas pros lados da Igreja da Penha,escondidos pelas árvores vetustas e pelas sombras,propícias ao amor.
Com o tempo , precisaram de um cocada,que é como se diz na Bahia,o leva-e-traz,que ajudava os enamorados;neste caso,o “Quiabo Duro”,um seco rapazinho,muito ágil e calado ,filho da madrinha do poeta.Para não despertarem suspeitas,arrumaram um apelido para ambos;ela,seria melancia,fruta da predileção do namorado;ele,coco mole,que ela adorava comer.Havia algo de pecaminoso e sensual na escolha dos codinomes,mas,não foi intencional;algo subjetivo,sim senhor.
O namoro ia progredindo, escondido e lento,cheio de mistérios e códigos secretos de fazer inveja á CIA,se naquele tempo ela já existisse.
-Tem melancia na feira!gritava o garoto,e,o rapaz logo corria para a frente da igreja,onde juraram um dia,se casar.
-Coco Mole!passava o rapaz pela frente do sobrado,a menina arrumava uma desculpa e corria para o local aprazado.
Assim iam tocando a vida.
Não há mal que sempre dure, nem bem que nunca se acabe,dizia a minha vó,sábia senhora que me contou esta e outras estórias.
A tempestade chegou na forma de um valdivinos,recém chegado da Terrinha,para ser primeiro caixeiro da padaria e o “alter ego” do português,que o tinha em alta conta de gajo sério e trabalhador;o fato do sujeito cheirar eternamente a alho,ter muitas espinhas e ser magro como um bacalhau de porta de venda,não pareceu importar ao pai da menina que cismou em casá-la com o patrício.
Como era uso naquela época, ela foi apenas notificada e teve que se dobrar á vontade paterna.
Inteirado da notícia, Coco Mole,duro e teso,sem poder fazer nada,sumiu no mundo;tinha um tio que labutava na Marinha Mercante,cortou os cabelos,criou cores e coragem e embarcou num cargueiro mar a fora.
Dadinha ficou com um cacho dos cabelos do amado,que mandou encastoar em ouro e usava numa corrente,junto ao peito.
O casamento sofreu alguns atrasos, afinal,o pretendente tinha que “tomar estado”,juntar algum,fazer uma casa,as coisas não podiam ser feitas nas coxas.
Dois anos e meio tinham se passado; ninguém sabia notícias do marujo e,o casamento,enfim,foi marcado.Seria em Maio,mês das noivas e de Nossa Senhora,na Igreja da Penha,ás seis horas da tarde,com pompa e circunstancia,como deveria ser as bodas de uma filha única.
Branca e radiante vai a noiva...Seria mesmo?
Dadinha,com a palidez da morte e olhos chorosos,caminhava para o altar como se fosse para o cadafalso;o que se passava na sua cabeça,de suas dores,quem saberia?Alimentada pelas lembranças,caminhava...
De repente, de fora da igreja,um moleque gritou,a plenos pulmões:
-Melancia,Coco Mole está na terra!
Dadinha, desvencilhou-se da multidão,arrepanhou a cauda e correu como louca para a porta,deixando estupefatos pais,noivos e convidados.
Um pequeno barco a motor a esperava. Nele,um belo marujo atlético,tostado pelo sol de quatro mundos,lépido,a tomou nos braços e rumaram para um cargueiro que os esperava na barra.
Voltaram a Salvador quinze anos depois, já mortos os pais dela,trazendo dois belos garotos e se estabeleceram na Ribeira,que viu nascer e abençoou seus primeiros amores.
...e ,entrou por uma porta e saiu pela outra,peça ao rei,meu senhor,que te conte outra.
Assim minha avó terminava suas estórias.
Assim repasso!
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